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RESENHA - FILHOS DO ÉDEN (HERDEIROS DE ATLÂNTIDA)


Título: Filhos do Éden – Herdeiros de Atlântida 
                                           
Autor: Eduardo Spohr
                              
Editora: Verus

Ano de publicação: 2011

Páginas: 476

ISBN: 9788576861416

Nota: 05/05






“Para a maioria dos anjos, o grande problema da Terra não é a corrupção humana ou a degradação social. É o cheiro.”

A batalha nos céus entre os soldados dos arcanjos Miguel e Gabriel dura milhares de anos e após a Haled (nosso plano físico) ser praticamente abandonada por ambos os exércitos para dar mais vigor à luta, os vórtices de acesso às dimensões superiores foram fechados, restando poucas passagens aos céus que são desconhecidas. Com isso, somente alguns anjos foram autorizados a viver entre os homens apenas em missões específicas, dentre eles a Ishin Kaira, a Centelha Divina. Entretanto alguns anjos se recusaram a retornar para gladiar nas batalhas e foram exilados com a condenação de jamais poderem voltar ao plano celestial. Denyel é um querubim guerreiro que lutou à frente do exército de Miguel. Exilado e arrependido, pretende retornar aos céus e acaba conhecendo Kaira.
Sabendo que ela pode ser seu passaporte de volta, Denyel a ajuda em sua missão, e mesmo ciente dos perigos que enfrentariam os dois dão início a uma jornada onde terão que provar que o bem prevalece sobre o mal. Será?

Kaira é a Arconte de Gabriel e foi enviada à missão de impedir que Andril, o Arconte de Miguel, encontre uma das poucas passagens para Athea, uma colônia de Atlântida que resistiu ao dilúvio e que guarda um dos poucos acessos que restaram às dimensões paralelas (de modo grosseiro, o céu e o inferno). Entretanto, sua missão é adiada pelo ardiloso Arconte e sua comparsa Yaga, uma Hashmalin torturadora e impiedosa.
Kaira tem sua memória alterada graças a um feitiço de Yaga e permanece na Terra vivendo como Rachel, uma humana comum. Até que Levih, o Ofanim bondoso e Urakin, o Punho de Deus, esclareçam sua verdadeira personalidade. Ao descobrir que ela é uma Ishin da província do fogo, Kaira retoma seus poderes angélicos aos poucos e assim retorna à missão junto com os dois novos amigos.
Denyel vive num antigo galpão abandonado e vive uma vida normal como qualquer homem. Porém, quis o destino que Levih o procurasse pedindo ajuda para salvar Kaira, pois durante a missão, eles foram surpreendidos pelos inimigos. Com nossa Ishin recuperada, mais uma vez a missão é retomada e o grupo parte novamente à caça de Andril, porém Denyel não os acompanha de início, somente depois ele resolve se unir aos três anjos com a ambição de ser aceito por Gabriel e integrar seu exército nos céus.
Denyel se mostra essencial na missão, tanto por sua força e agilidade, quanto por seu conhecimento terrestre e celestial. Por viver milhares de anos na Terra, o querubim conhece seres que podem ajudá-los na missão e os lidera a fim de entender o que na verdade estão procurando. Mas como nada é tão simples nos livros do Spohr, demônios, raptores e espíritos malignos são designados a tornar essa missão um martírio para o grupo. Esses encontros com os seres opositores nos trazem campos e cenários de batalhas, por vezes imagináveis e inimagináveis.
Lutando juntos e fazendo descobertas, o grupo de anjos desvenda o verdadeiro plano de Andril e ruma direto à Athea, a colônia de Atlântida que retém um dos acessos às dimensões paralelas. A batalha final entre os anjos tem início a partir de uma traição e tem seu fim com grandes perdas, mas também com grandes vitórias.

Dessa vez Spohr explorou muito mais um mundo fantástico do que fatos históricos, o que pode nos render boas divagações sobre os anjos de Deus. Com isso, o apego maior na história é com os personagens, suas personalidades e deficiências, e com o sentimento clichê de querer saber como uma história tão maluca vai ser desenrolada e encaixada em três volumes (o último lançado este mês).
Neste primeiro livro da série conhecemos como a personalidade sagaz de Denyel está atualmente, porém a história desse Querubim vai muito além, e somente fazendo a leitura do segundo volume poderemos entender como o exilado foi lapidado no mundo dos homens.
É notável a dedicação e carinho que o autor teve em escrever cada página, cada detalhe. A semelhança entre “A Batalha do Apocalipse” e “Filhos do Éden” existe, porém a forma como é orquestrado o enredo da trilogia é com certeza o que dá maior destaque se compararmos o primeiro lançamento de Spohr.
Jamais vou cansar de falar que é leitura obrigatória para quem curte o estilo, e mesmo quem não curte vai admitir que o cara manda muito bem na imaginação e criatividade sem esquecer da eloquência.

Como é uma leitura bastante moderna e com alguns pontos que nos leva ao início de tudo, deixo como trilha a banda Shadows Fall, que tem a levada moderna do metal com pitadas de um metal mais tradicional em seus riffs.
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