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RESENHA - FILHOS DO ÉDEN (ANJOS DA MORTE)


Título: Filhos do Éden – Anjos da Morte 
                                           
Autor: Eduardo Spohr
                              
Editora: Verus

Ano de publicação: 2013

Páginas: 586

ISBN: 9788576862451

Nota: 05/05




Pólvora, Napalm, sangue e lágrimas. Se me perguntassem em poucas palavras, eu diria que é disso que é feito este livro.”           
                                                                                                                                   Eduardo Spohr


Denyel é um querubim, um exilado, um pau mandado dos carecas, apelido carinhoso que os querubins deram aos malakins. Denyel é quase um humano com sentimentos e personalidades terrenas, o que o diferencia é o seu sangue frio em meio às guerras. Denyel é um anjo guerreiro, um Anjo da morte.


Com o avanço das tecnologias e da comunicação durante o século XX, o tecido da realidade, barreira que separa os planos físico e espiritual, adensou-se e com isso os malakins foram incapacitados de observar por si só o progresso dos tempos. Os malakins, casta angélica que pode moldar o tempo e o espaço, solicitaram a Miguel que fossem enviados a terra esquadrões de anjos para observar e relatar os acontecimentos em nosso plano físico, mas Miguel lhe ofereceu os anjos exilados na terra para fazer esse trabalho sujo, já que não queria perder seus capitães durante as batalhas que ocorrem no paraíso. Um desses exilados é o já conhecido Denyel, querubim apresentado no primeiro volume da trilogia (Herdeiros de Atlântida).

O século XX foi marcado por guerras entre países por questões de poder e por muitas vezes sem motivos, assim diversos soldados pensavam, pois não sabiam pelo que lutavam. Denyel fez parte de algumas das equipes de soldados que lutaram nessas guerras, dentre elas a mais emblemática, a Segunda Guerra Mundial.
Sólon, líder dos sete malakins, é o chefe de operações de Denyel e controla cada passo do anjo exilado. O papel de Denyel na terra é lutar nas guerras e trazer relatórios sobre tudo ao malakin. Agindo como um soldado humano, Denyel é exemplar nos campos de batalha, porém apenas para os olhos de seus capitães e generais, pois para um Anjo de Deus ele é um miserável assassino de inocentes.
Por possuir o instinto guerreiro, o querubim acaba gostando da adrenalina das guerras e mata homens dos exércitos inimigos sem sentir pena ou rancor, o que faz com que Sólon adote Denyel como principal Anjo da Morte do esquadrão em seu plano de exterminar os Elohins, que segundo Sólon, estão levando informações secretas aos anjos de Gabriel.

Na época da Segunda Guerra Mundial foram criados segredos que permanecem ocultos até hoje, uma espécie de aliança entre os Nazistas e algumas seitas esotéricas para criar poderes que fogem da imaginação até mesmo dos celestes. Em meio a guerras e segredos, Denyel vai aos poucos descobrindo que existe muito mais por trás das missões que são atribuídas a ele.
Durante as batalhas dos homens, o querubim descobre e aprecia muitos vícios e desejos terrenos, o que nos leva a entender melhor sua personalidade já conhecida anteriormente. Sem envelhecer ele trava sua pior batalha: a de não saber quem ele é. Sua personalidade angélica está sendo tomada por costumes humanos o que o leva a pecar cada vez mais.

Paralelamente em tempos atuais, Kaira, a Centelha Divina e Urakin, Punho de Deus, saem na missão de encontrar Denyel, que desapareceu na última batalha no primeiro volume da trilogia. Desta vez quem está ao lado deles é Ismael, um hashmalin desertor que possui técnicas de grande valia nessa nova missão de nossos heróis.
Mesmo sendo ordenada à outra missão por Gabriel, Kaira dá prioridade na missão de encontrar Egnias, uma das poucas cidades que ainda possui a passagem para o rio Oceanus, local onde provavelmente Denyel está desacordado desde a queda de Athea.
Sem muitos combates, o trio percorre lugares pouco explorados pela humanidade e vão desvendando enigmas que aos poucos revelam segredos há muito tempo guardados pelos nazistas e seus aliados.
Com algumas passagens do seu passado, conhecemos também a origem de Kaira, a Centelha Divina, que ainda não faz ideia de todo seu poder. Nesse volume descobrimos como Urakin conheceu Denyel e porque alimentava tanto ódio de seu colega de casta.

Com um passado tortuoso e obscuro, Denyel terá sua chance de redenção? Kaira e seus amigos encontrarão Denyel para depois cumprir a missão que lhe foi dada por Gabriel?

Como já havia dito antes, o Spohr sabe muito bem intercalar fatos históricos com o mundo da fantasia. Em Anjos da Morte ele mostra que sua paixão pela história é essencial para o enredo desse livro. A narrativa entre o passado e o presente pode parecer algo clichê nos livros, mas para dar o total significado de ligação na história é preciso muito conhecimento de causa.
De longe é o livro mais trabalhado (ainda estou lendo o último) e bem construído pelo autor, em minha opinião. É o típico segundo volume que nos dá a agonia de esperar pelo desfecho, tanto que aguardei os dois anos de espera pelo Paraíso Perdido para ler tudo de novo.
Não preciso nem repetir que é leitura obrigatória!


Antes de terminar o livro pela segunda vez já sabia qual seria a trilha sonora para ele, e os recentes ataques à Paris apenas me deram certeza em escolher a banda francesa mais maluca que conheço: Watcha
O que tem a ver a banda ser da França? Simples: boa parte do livro se passa por lá na época em que os alemães invadiram o país. Fora isso, a banda utiliza vários termos que se parecem muito com alguns feitiços lançados pelos magos no livro, e os vocais estabanados de Bob (El Bucho) trazem à tona o sentimento turvo que passa por dentro da cabeça de Denyel.
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