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RESENHA - A FESTA DO SÉCULO




Título: A festa do século  
                                           
Autor: Niccolò Ammaniti
                              
Editora: Bertrand Brasil

Ano de publicação: 2011

Páginas: 336

ISBN: 9788528615425

Nota: 03/05



As madeiras mais valiosas se quebram, mas não se dobram.”

As Bestas de Abbadon é uma seita que cultua o capiroto e é liderada por Saverio Moneta, o Mantos, um simples trabalhador que é humilhado por seu sogro e esposa (que não gosta de sexo) diariamente. O grupo liderado por Mantos já foi considerado mediano entre os satanistas, porém nos últimos dias conta apenas com quatro integrantes. Para se igualar e até superar as grandes seitas italianas, Mantos planeja o sacrifício de uma famosa cantora pop durante a festa de Sasà Chiatti. É nesta festa que os caminhos das Bestas de Abbadon e do famoso e egocêntrico escritor italiano Fabrizio Ciba se cruzam para dar enredo a uma tragicômica narrativa.


Sasà Chiatti é um magnata que recentemente comprou a Villa Ada, um parque público situado na região de Roma. Para inaugurar seu novo empreendimento, Sasà planeja uma festa convidando apenas personalidades famosas, como jogadores de futebol, escritores consagrados, atores e atrizes, modelos sem cérebro, todo o tipo de gente que encontramos nas festas do Amaury Jr.
Dentre estes convidados está Fabrizio Ciba, um escritor italiano contemporâneo que ganhou alguns prêmios e vendeu alguns milhares de livros. Entretanto, Fabrizio está em uma atual crise de criatividade, mas isso não afeta seu estilo narcisista de ser, pois para ele não há escritores melhores na atualidade. Sua ficha só cai quando ouve um colega de sua editora dizendo que ele está acabado e não tem mais salvação. Até então, seu convite à festa do século estava esquecido, sua superioridade não o permitia frequentar lugares com pessoas fúteis. Com a autoestima reduzida, o escritor decide ir à festa para se vingar de todos os que o subestimam, como ele mesmo diz: “enrabar todos eles”.

Sem convites para a festa e decididos a mudar seu status de seita medíocre, As Bestas de Abbadon procuram um jeito de elevar seu respeito e conciliam um trabalho temporário de ajudantes nessa festa com a decisão de sacrificar Larita, uma ex-vocalista de Death Metal que se converteu ao cristianismo e que, além de convidada, irá se apresentar na festa com suas músicas pop.
Mantos, Zumbi, Silvietta e Murder estarão na festa do século para marcá-la com sangue e muito ódio a fim de conseguirem sua passagem para o inferno e ficarem na presença do maligno, porém todo plano A precisa de um plano B e como eles não tinham nem um plano A consistente, tudo poderia dar errado.

Villa Ada em Roma - Itália
Sasà Chiatti restaurou a Villa Ada de forma que seus convidados tivessem um dia de festa fora do convencional, com caças a animais, safáris exóticos, bufê excepcional, passeio de trem, tudo para marcar o perfil de megalômano de Roma. Os populares foram contra a aquisição da Villa Ada, pois era ali que famílias se divertiam nos finais de semana, crianças e cachorros corriam pelos vastos gramados do parque, piqueniques se realizavam, casais apaixonados namoravam. Entretanto, para Chatti o local era mais uma oportunidade de mostrar seu poder.
A festa seguiria um cronograma com hora e atividades programadas minuciosamente por seu anfitrião, o que estabeleceria a admiração de seus convidados, porém como As Bestas de Abbadon planejavam, essa seria uma festa memorável não pela sua grandiosidade, mas sim pelo sangue escorrido nos campos da Villa Ada. Contudo, As Bestas não contavam com o sangue que escorreria além de seus planos.

Niccolò Ammaniti escreveu esse livro como uma forma de apontar o quão mesquinho e sem valores éticos é nosso mundo. Rodeado de superfluidade, a humanidade caminha para a própria destruição sem mesmo notar, por vezes nota, mas não dá a mínima. O que importa é o momento.
Com uma narrativa que intercala as faces de Fabrizio e os devaneios satânicos de Mantos e seus amigos, Niccolò expõe como classes distintas podem criar sentimentos parecidos enraizados por motivos particulares. A mesma humanidade que se comove por algum fato histórico triste, é a mesma que semanas depois está preocupada apenas com que roupa irá aparecer em público.
É um livro interessante, mas que não me cativou totalmente por ter alguns eventos que considerei forçados, apesar de ser uma ficção. Com essa crítica à sociedade moderna, o autor mistura o sarcasmo e leves tons de humor negro que deixa a leitura fluir levemente. O que gosto nos autores italianos é o jeito esculachado de escrever com palavrões sem se preocupar com censuras, e isso Niccolò sabe fazer muito bem.
Esse era um livro que desde que vi a capa e li a sinopse me interessei de imediato, porém não foi tão bom quanto pensei que fosse. Não é um livro ruim nem excelente, apenas interessante.


Para essa leitura, a banda americana Canobliss monta o palco com suas canções que levam uma imagem sombria, mas, sobretudo com o bom e velho sarcasmo.
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