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RESENHA - O JULGAMENTO DE SHEMAYA



Título: O Julgamento de Shemaya  
                                           
Autor: James Kimmel Jr.
                              
Editora: Leya

Ano de publicação: 2014

Páginas: 320

ISBN: 9788544100592

Nota: 05/05



“Chega um momento em todo pesadelo quando a descrença já não pode continuar suspensa e é preciso escolher entre acordar ou deixar que o drama prossiga, confortando-se com a ideia de que é, afinal, apenas um sonho.”

Brek Abigail Cuttler é uma mulher de 31 anos, advogada, bem casada, recém-saída da maternidade e que tem toda a vida pela frente, ao menos até ela se descobrir na estação de trem chamada Shemaya. Sem saber o porquê ou como chegou lá, Brek percebe que a estação não tem horários de partida dos trens, apenas de chegada. Ela descobre então que nenhum trem vai sair dali porque a estação Shemaya é o destino final de todas as almas. Shemaya é onde se localiza o Tribunal onde o julgamento de todos nós acontece, decidindo quem vai para o céu e quem vai para o inferno.


Brek está morta e quase não se lembra de como era sua vida antes dali, nem mesmo o rosto de sua filha ela tem lembranças. A difícil tarefa de aceitar que seus dias na Terra se foram é combatida a cada instante que ela é exposta aos fatos que culminaram para o derradeiro fim. Ali ela é levada a conviver com antigas memórias de sua vida e até mesmo de outras vidas, que ao que parecia, eram totalmente alheias as dela.
Passando alguns dias com sua bisavó (que também já morreu há algum tempo) ela vai descobrindo aos poucos como foi parar ali, o porquê e de como é o funcionamento de Shemaya. Quando parece que ela está se adaptando ao lugar, ela descobre que está ali para ser representante de almas, ou seja, sua vocação na Terra terá continuidade na defesa de seus “clientes” mortos, o que levará eles ao céu ou ao inferno.

Em Shemaya é possível visitar lugares que nem mesmo em vida estivemos e isso distrai alguns momentos de Brek, porém é possível também reviver a vida de outras pessoas, o que nos leva a mais lugares inexplorados. Brek revive a passagem de outras pessoas pela Terra em muito pouco espaço de tempo, o que a confunde ainda mais sobre o real processo de Shemaya. Será que ali há justiça? A justiça que ela sempre defendeu em vida nos seus dias de advocacia?
Gostando ou não do que vê, ela está disposta ir a fundo e descobrir os segredos daquele lugar tão fantástico e assustador ao mesmo tempo, conflitando com sua vontade de mudar algumas coisas que não está ao seu alcance. Vidas antigas como a de Noé, Caim e Abel, até mesmo de Eva ela consegue visualizar para que o entendimento possa ser alcançado.

Sua vida não foi totalmente uma vida exemplar, pois todos nós cometemos erros e isso ela sabe, o que ela não sabe é que grande parte da sua história está ligada a fatos de outras vidas que cometeram atos bondosos e maldosos, e, sobretudo que sua vida decidiu demais eventos que, se ela pudesse, teria evitado.
Com o entendimento pleno, mas não aceitação total, de como funciona Shemaya, Brek representará sua alma sem poder interferir no destino final.

James Kimmel Jr. é estreante na literatura com esse belo livro. O Julgamento de Shemaya levou dez anos para ficar pronto, mas o resultado compensou a demora. É um livro que nos faz pensar em como agimos em nossas vidas, achando que nossos atos definirão apenas parte de nós mesmos, porém o que fazemos ou deixamos de fazer pode ter resultados que atravessam gerações.
Não é um livro religioso e nem espiritual cru, a meu ver é uma ótima ficção com espiritualidade psicológica (se é que existe este termo). O autor conseguiu passar sentimentos dúbios: devemos amar ou odiar? Devemos perdoar ou condenar?
Curti bastante esse livro e curti ainda mais porque aborda fatos históricos como a Segunda Guerra Mundial, a Guerra no Vietnã, a disputa pela energia entre Thomas Édison e George Westinghouse (se você não sabe do que se trata, pesquise porque é interessante). Entra fácil nos meus melhores de 2015 porque a ideia é excelente e foi desenvolvida com louvor!
Não é um livro que se lê rápido, pois o autor desenha todo o acontecimento de seus eventos, portanto se der uma vacilada, você vai ter que voltar a ler o trecho para se situar novamente. Contudo não é um livro difícil de ler, pelo contrário, é um livro bem leve que desperta a curiosidade a cada página. Desculpem-me o clichê, mas é verdade. Esse eu recomendo demais, podem ler!

Para uma leitura sensacional, a banda não pode ser menos sensacional. Quem preenche os campos de Shemaya com suas melodias tranquilas e pesadas ao mesmo tempo é o Flaw, uma banda de simetria musical perfeita.

♪♫ So maybe I am bound by fate. A problematic scarring induced by hate ♪♫
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