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RESENHA - AS SETE PRAGAS




Título: As Sete Pragas  
                                           
Autor: Sinval Ferreira Lima
                              
Editora: Independente

Ano de publicação: 2014

Páginas: 490

ISBN: 9788528614244

Nota: 04/05




“Todo poder é inútil. Todo vício é maldito. A ignorância é a origem do retrocesso. A mentira é a mãe da discórdia e das guerras. A ganância é excludente e destrutiva. O egoísmo é imoral. A inveja é um distúrbio individual, não social.”

A Terra é apenas um planeta experimental onde nós humanos vivemos como cobaias em testes de Deus. Como o tempo já provou, não somos dignos de habitar as planícies criadas pelo Todo Poderoso e o fim é iminente. Mas apesar de não merecermos, Deus tem um plano para nos dar mais uma chance: enviar o próprio diabo para acabar com as sete pragas que foram responsáveis pelo declínio humano e nos mostrar o caminho à redenção.


O universo é repleto de planetas com habitantes fora do comum aos olhos humanos terrestres. No início de tudo Deus criou diversos mundos e diferentes e incríveis povos para habitá-los, e a Terra acabou sendo um mero recipiente que suportaria a espécie humana como a conhecemos. Nos outros planetas existem gigantes corpulentos, seres transparentes, fortes, totalmente diferentes dos terráqueos. Na Terra existimos nós.
Como a história nos conta, houve um ser maligno que pretendeu ascender a Deus e conquistar o universo a qualquer custo. Descontente ou pouco satisfeito, o diabo criava a discórdia e tudo o que há de ruim nos mundos afora. Deus vendo que suas criações estavam sendo ameaçadas por esse crápula, decidiu conceber a ele um planeta onde ele poderia reinar a vontade, o planeta Inferno. Enquanto o diabo fazia o que bem entendia no seu novo planeta, Deus resolveu criar mais um planeta onde habitariam diversos povos de diferentes planetas, que de alguma forma foram corrompidos pelo diabo, eis que surge a Terra.

A Terra serviria como experimento para ver como a miscigenação se sairia por si só. Deus deu abrigo aos homens e os esqueceu durante um bom tempo para ver o que aconteceria. Pois bem, a ideia não foi das melhores. Poucos foram os momentos de paz no universo, pois o diabo possui a ambição em suas veias e queria mais. Decidiu então sair do Inferno e atazanar a vida terrestre escondendo seus planos de Deus. Bom, Deus não ficaria sem saber e muito menos ficaria feliz em saber que o endiabrado aprontou mais uma das suas. Condenou o diabo à eternidade em seu planeta Inferno como presumimos.
Com a humanidade mais uma vez ludibriada pelo demônio, Deus então decidiu utilizar o Inferno como uma espécie de purgatório, onde as almas que tinham uma ponta de esperança poderiam ser salvas e as perdidas seriam condenadas ao caos eternamente.
Deus traria os justos para o seu convívio, mas os impuros teriam que passar por um reformatório. Deus então projetou o Satélite Bios, que serve como berçário dessa transição entra a Terra e o paraíso. Bilhões de sepulturas de cristal abrigam uma réplica de cada ser, desde a fecundação até a morte física. Assim que deixam o corpo físico, são atraídos para sua réplica, que sai do casulo e viaja pelo espaço cósmico em direção ao portal de seleção, uma espécie de tribunal. Ali anjos e guardiões selecionam quem vai direto para o paraíso e quem parte nas naves do Inferno.
O Satélite Bios existe de modo a ignorar o tempo, pois ali nomes históricos de milênios atrás se encontram com a população atual a fim de serem direcionados ao Paraíso ou ao Inferno.

É no Satélite Bios que conhecemos Argemiro, que é o narrador de toda a história do livro. Ele acabou de morrer e está na fila aguardando sua vez para fazer seu “check in” que decidirá para onde ele vai. Argemiro não foi um cara de maldades na Terra, então acredita que seu destino será o Paraíso. Entretanto, na fila se misturam todos os seres das melhores e piores espécies e em seu caminho aparece Mauro Balufe (fica a alusão para quem quiser), um político que roubou e fez o que pôde para se dar bem na vida terrestre. Balufe troca seu chip, algo como um passaporte para o check in, com o chip de Argemiro, que não percebe a troca e acaba sendo enviado ao Inferno.
 Após perceber que caiu na cilada do político, Argemiro tenta explicar a situação para os guardiões e apenas um anjo sabe que ele não está sendo enviado para o lugar certo, então o anjo diz a ele que fique calmo e que tudo irá se resolver. Argemiro é transportado até o Inferno e como não tem outro jeito procura conhecer mais sobre o lugar.
O planeta Inferno é bem diferente do inferno dantesco que conhecemos nas demais histórias. Lá existe a natureza plena e seres que possuem bondade ao invés de somente a maldade. Esse Inferno é algo como um centro de reabilitação onde os que cometeram atos menos deploráveis estão sujeitos as penas, mas que podem ser perdoados e enviados ao paraíso após provarem que estão arrependidos. Existem também os que cometeram atos imperdoáveis como os estupradores, assassinos, políticos corruptos, uma carga pesada de delitos.

Para manter a harmonia entre os extremos, há os missionários que cuidam do lugar e das almas que ali habitam de acordo com suas penitências. É em suas andanças que Argemiro “conhece” Valentina, umas dessas missionárias e sua antiga quase-sogra. Ela sabe que Argemiro não merece estar ali e acaba sendo seu guia e protetora.
Valentina é uma linda mulher que chama a atenção por onde passa e naturalmente Argemiro fica fascinado pela missionária do Inferno. Ela mostra boa parte do planeta e ele por sua vez fica extasiado por descobrir que ali é mais belo que a própria Terra, afinal o que ele aprendeu não era que o inferno seria puro fogo e ranger de dentes? Claro que nesse planeta existem lugares semelhantes ao que já ouvimos falar, pois é ali que os condenados são castigados por toda a eternidade.
Argemiro se apaixona facilmente por Valentina e a ideia de ficar no Inferno lhe parece cada vez mais atraente, porém a missionária tem planos que não incluem o rapaz. Valentina está à procura de sua filha, Thalia, que também morreu e provavelmente está no mesmo planeta. Mesmo estando Argemiro fora dos planos de Valentina, eles se juntam e conhecem Persena, outra personagem que está em busca de justiça e principalmente vingança pelo passado terrível que a fizeram viver.
Thalia não foi uma menina má, mas sim induzida a fazer besteiras para sustentar seu vício. Thalia e Valentina eram de família pobre da periferia de São Paulo, e como muitos por aí, tiveram seu destino selado pelas drogas. Sem saber que Thalia já havia sido enviada à Terra para uma nova chance em uma nova vida (com muito mais luxo, diga-se de passagem), Valentina e Argemiro presenciam uma guerra histórica no Inferno.
Sartranas, filho de Tellenus (nome dado ao diabo), possui ambições piores que a do pai e quer dominar o Inferno para poder dominar todo o resto do Universo. Aliado a Hitler, Sartranas começa sua devastação das almas que poderiam ser salvas e convoca todos os tiranos da história mundial para lutarem a seu lado em busca do pleno domínio. Certo de que derrotou seu pai, Sartranas acredita que pode derrotar o próprio Deus para cravar seu reinado.

Paralelamente à guerra Infernal, Thalia já está na Terra e com uma personalidade forte. Apesar de ser de uma família rica desta vez, a menina é justa com os menos afortunados e não entende por que as pessoas são tão más. Ela está a espera de que algo aconteça para que a oportunidade de mudar o mundo seja lançada.
Enquanto a guerra no Inferno toma proporções catastróficas, Tellenus não consegue se conformar que seu filho se tornou tão mau e acaba sucumbindo ao arrependimento por tudo que foi responsável. Deus vendo que Tellenus está sendo sincero resolve lhe dar uma chance: descer à Terra e exterminar as sete pragas: a ignorância, o dinheiro, a avareza, a mentira, as drogas, o poder e as religiões.
Enviado em forma humana, Tellenus surge num local onde muitos populares presenciaram sua chegada e o julgam como um alienígena. Logo de cara ele anuncia que vem do futuro e que traz a esperança para a humanidade, mas que as pessoas terão que abrir mão de muita coisa para alcançarem essa bênção. É aí que ele mexeu no vespeiro. Imaginem vocês, os poderosos de todo o mundo abrindo mão de suas fortunas para que a igualdade se estabeleça. É claro que ele comprou uma baita de uma briga, mas ele é Tellenus e ninguém vai enfrentar seus planos, a não ser Deus, caso julgue necessário.
Thalia fica sabendo do surgimento do E.T. e procura fazer contato com Tellenus para entrevistá-lo em seu programa. Ele aceita o convite e assim milhares de pessoas conhecem os planos do diabo, que é acabar com essas sete pragas da humanidade. Thalia e Tellenus formam uma boa dupla e bolam um plano infalível para que todas as pessoas do mundo assistam ao grande comício que mudará o presente e definirá o futuro. Em seu caminho Tellenus encontra opositores poderosos, mas que não são páreos para seus poderes que vão muito além da compreensão humana.

As Sete Pragas é um livro que possui uma filosofia bem distinta. Sinval expõe de forma espetacular o sentimento nefasto da humanidade, que é a busca pelo poder e que se explodam os mais fracos. Um livro que critica a sociedade da forma como deve ser, sem medo de ser censurado. Particularmente curti bastante a ideia.
Um ponto negativo, em minha opinião, é que faltou um pouco mais de mistério na guerra do Inferno, pois Hitler e Sartranas tem seu destino exposto muito rápido. Creio que intercalar a missão de Tellenus com a ganância do filho daria um quê a mais na história porque a missão de Tellenus às vezes é um pouco enfadonha apesar de nobre.
A visão diferenciada do inferno e do diabo que o autor nos apresentou é algo digno de ser reconhecido. Muitos fanáticos não aprovariam a ideia, mas como se trata de uma ficção precisa ter seus méritos.
E fiquem atentos porque logo mais iremos sortear não um, mas DOIS exemplares deste livro do nosso parceiro Sinval Ferreira. Para conhecer um pouco mais sobre o autor e seu trabalho, acesse o link: http://goo.gl/4FjWD5

Para essa leitura estranha ninguém menos que os caras do Mudvayne, que parecem que vieram de uma nave de outro planeta, para dar o ritmo pesado e igualmente estranho.

Does your god come in a capsule to sedate you
Tear the walls down, headless prison 
Cannibals chew to consume you. Bring the alien
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