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Resenha: Morte no Nilo

Título: Morte no Nilo

Autor: Agatha Christie

Editora: Nova Fronteira

Ano de publicação: 2014

Páginas: 250

ISBN: 9788520936511

Nota: 05/05



É o terceiro livro que leio da nossa querida Rainha do Crime. Posso dizer que esse foi um dos que mais me impressionou. O Assassinato no Expresso do Oriente e Morte no Nilo, ambos têm como investigador Hercule Poirot, que vamos combinar, ele é um personagem incrível!!!


A trama como sempre, prende você do começo ao fim. Dessa vez, eu desconfiei de três pessoas na história, mas quando você acha que encontrou a solução, outra revira volta acontece e toda a sua especulação cai por terra.

Nós conhecemos Linnet Ridgeway, uma moça bela, milionária, inteligente e que sempre quando quer algo, ela consegue. Não importa o que ela tenha que fazer para conseguir, mas ela sempre consegue. Isso acaba se tornando um grande problema para ela no decorrer da história. Acredito que, por ser uma moça nova e estar acostumada a sempre ter tudo, ela não se da por satisfeita enquanto ela não consegue o que quer.

Linnet acabou de comprar uma nova casa e está decorando do jeito que ela quer. Joanna Southwood sua amiga, que mais parece uma cobra de tanto veneno que ela trás em suas palavras está junto com a amiga visitando a sua nova casa. Joanna vê o colar de pérolas belíssimo de sua amiga e fica impressionada com a beleza da joia. Linnet tem um ciúme enorme dessas pérolas e anda com elas para baixo e para cima de forma que, para alguém tentar roubar as pérolas seria bem difícil.

Enquanto está em sua nova casa que ainda passa por reformas, Linnet recebe uma ligação de sua grande amiga Jacquelline de Bellefort. As duas combinam de se ver e encerram a ligação. Linnet explica para Joanna que sua amiga não tem muita sorte na vida e a moça venenosa do jeito que é, afirma que se fosse ela se afastaria de gente assim.

Linnet tinha recentemente se recusado a casar com Lord Windlesham. Ele ainda alimentava as esperanças de a recusa da moça não ser definitiva. Gostava muito dela e se casaria com ela até se fosse pobre, mas não era esse o caso. Porém, não se pode forçar ninguém a fazer nada, não é mesmo?

Jacquelline chega até a casa de Linnet para fazer uma visita. As duas conversam bastante e Jackie decide abrir seu coração para sua amiga. Ela está noiva de Simon Doyle, um moço pobre, de família pobre e que para ajudar, acaba de ser demitido de seu emprego. Jackie está bem chateada com a situação e por causa dessa situação, os dois não vão poder se casar por falta de dinheiro.  É a primeira vez que Linnet vê sua amiga verdadeiramente apaixonada.

É então que Jacqueline faz uma proposta para sua amiga. Como ela comprou essa casa nova, seria excelente se ela aceitasse contratar Simon como administrador da casa para ajuda-la.  A moça insiste tanto que Linnet pede para que ela traga seu noivo para ela conhece-lo e conversarem a respeito. Com muita pressa, depois da confirmação que recebeu da amiga, Jackie retorna na mesma hora para Londres para buscar seu noivo, sem nem ao menos ter tomado um chá com sua amiga.

A história é levada para o ponto de vista de Hercule Poirot. Nosso incrível investigador está de férias viajando, aproveitando o tempo para descansar um pouco. Ele está em um restaurante de um grande amigo que sempre que o encontra arruma um jeito de acomoda-lo em seu restaurante.

“- Não, não inveje. Não é tão divertido quanto parece - Poirot deu um suspiro. - Quão verdadeiro é o ditado que diz que o homem inventa o trabalho para escapar do esforço de pensar!”

Um casal em especial chama a atenção de Poirot. Os dois aparentam bastante felicidade por estarem juntos naquele momento. A moça demonstrava amar imensamente aquele homem. Já o homem não aparentava gostar tanto assim dela. Enquanto a moça faz vários planos para os dois, o homem parece não compartilhar da mesma empolgação. Poirot pensa consigo mesmo: pobre moça.

A história retorna novamente para Linnet e Joanna que não para de falar no seu ouvido, como sempre, palavras venenosas. Aparentemente o que transparece por parte de Joanna é que ela é bem invejosa. Diz admirar Linnet, mas acredito que na verdade não é bem admiração o que ele sente.

Windlesham chega para conversar com Linnet sobre sua proposta de casamento, se ela tinha mudado de ideia, se tinha pensado melhor sobre o assunto, mas ela não parecia nada interessada em se casar, pelo menos não com ele. No momento Linnet queria se divertir e não se comprometer com outra pessoa.

Jackie retorna a casa de Linnet com seu noivo Simon, e apresenta-o para sua melhor amiga. Ela fica encantada com o rapaz. Um moço bonito, forte e pensa consigo mesma que sua amiga Jackie tem sorte de estar com ele.

Eis que Linnet, como sempre está acostumada a ter tudo o que quer sem pensar nos sentimentos ou nas consequências, se casa com Simon Doyle. Isso mesmo!!! Linnet fura os olhos de sua melhor amiga sem nem pensar nas consequências. Mas parece, que dessa vez, ela foi longe demais.

Jacqueline de Bellefort está disposta a fazer um inferno na vida dos dois. Ela não aceita o que sua amiga fez e para se vingar, decide começar a frequentar todos os restaurantes, hotéis e passeios que os dois fazem, a fim de incomodar os dois o máximo possível.

Hercule Poirot está hospedado no hotel Catarata onde por incrível que pareça Linnet e Simon Doyle também estão hospedados. Tim Allerton e sua mãe também estão hospedados no hotel. Eles são parentes de Joanna Southwood, tanto é que a Srª Allerton, desconfia que seu filho e Joanna tenham um caso, pois sempre que seu filho recebe uma carta de Joanna, ele sempre lê seu conteúdo pela metade para ela.

Os dois ficam curiosos pela presença de Poirot naquele hotel e desconfiam que ele esteja investigando alguém. Todos percebem que Linnet está com olheiras profundas e acham que ela está estranha, uma garota tão bonita com tanto dinheiro estar com aquela aparência de preocupada.

Para a grande surpresa de Linnet,  Jacqueline também aparece no hotel. Simon e ela ficam surpresos e incomodados com a situação. Os dois estão de lua de mel e não querem ser incomodados. Parece que eles não vão conseguir ficar tranquilos como queriam.

Linnet decide conversar com Hercule Poirot sobre a situação que está acontecendo com ela. Linnet se sente impotente pela primeira vez na vida. Jacqueline está perseguindo ela e nada pode ser feito, pois sua ex-amiga é discreta e até agora não deu nenhum motivo para envolver a polícia na história. Poirot sensato do jeito que é explica a moça que o melhor a fazer é ignorar a Srtª Bellefort, que uma hora ela deixara os dois em paz e também da uma alfinetada em Linnet, dizendo que a moça em momento nenhum pensou em sua amiga, simplesmente casou-se com o noivo dela sem nem pensar nas consequências e que agora vai ter que suportar a perseguição até sua amiga se cansar disso.

"(...)Não sei se recorda a história do Rei Davi, do pastor rico que tinha muitos rebanhos e do pobre que só possuía uma ovelha. Lembra-se de que mesmo assim o pastor rico tirou esta ovelha do pobre? Não foi, mais ou menos, o que aconteceu com ela?"

Como forma de tentativa para evitar uma possível tragédia, Poirot decide conversar com Jacqueline e tentar entender quais eram suas intenções.  A moça se demonstra bem aborrecida com Linnet explicando que Simon é apaixonado por ela e que sua ex-amiga, quando o viu, simplesmente partiu para cima dele sem considerar o amor que ela sentia por ele. Segundo ela, Simon não ama Linnet e ela tem certeza que em breve os dois vão ficar juntos. Poirot tenta convencer a mulher a parar com a perseguição, pois isso faria mal a ela, não só aos dois. Ele diz que já a conhece de um outro lugar. Quando os dois estavam felizes no restaurante em Londres, ele estava lá e viu os dois e a impressão que teve era que, Simon não gostava tanto dela como ela gostava dele. Jacqueline se recusa a acreditar no que ele diz e a parar de persegui-los e diz que vai muito mais além. Ela tira uma arma de dentro da bolsa e afirma que se for preciso vai matar Simon.

"- Por que a maldade - continuou Poirot gravemente - logo vai se instalar dentro do seu corpo e não a deixará mais em paz."

Depois de ter falado com ela, ao entrar no hotel encontra com Simon. Ele conta que não casou com Linnet por dinheiro e explica que Jacqueline era muito possessiva e isso não estava fazendo bem para a relação dos dois. Afirma ainda que ela estava fazendo um drama muito grande e que não era para tanto. Poirot diz para ele tomar cuidado com a moça, pois ela anda armada e pode acabar perdendo a cabeça. Simon explica que ela não vai fazer isso e que tem um plano, pegar um barco que saía no dia seguinte, vai comprar as passagens com nomes falsos para que ela não descubra e como vão ter uma excursão no mesmo dia, eles não voltariam para o hotel e iriam direto para o barco.

(...) Bem, um homem não quer uma mulher que o ame demais - disse Simon, desabafando seus sentimentos. - Não quer se sentir possuído de corpo e alma! Esta atitude possessiva, "Ele é meu"!, estraga tudo. A gente se sente sufocado e precisa se libertar. Um homem quer possuir uma mulher, não ser possuído por ela."

No dia seguinte todos vão para a excursão. Ao chegarem ao barco depois de toda a manobra que fizeram para conseguir fugir de Jacqueline, os dois estão aliviados e aparentemente felizes até que, ouvem uma gargalhada atrás deles e quando se dão conta Jacqueline está atrás deles, triunfante.

Desse momento em diante a história começa a ficar intrigante e intensa. Você não sente vontade de parar de ler para saber o que vai acontecer com os personagens. Poirot que está abordo do barco também, será essencial para explicar e chegar às conclusões necessárias para o crime que acontece no barco. O livro é rico em personagens, e chega a um ponto que você acaba desconfiando de todos.

Poirot como sempre é incrivelmente esperto, parece compreender o caso já no começo, mas vai deixando com que cada um dos personagens deem pistas e deixem rastros. Foi um dos contos da Agatha Christie que eu mais gostei, perdendo apenas para “Assassinato no Expresso do Oriente”, que a propósito é citado neste livro um acontecimento deste conto.


“Morte no Nilo” é mais um conto que mostra o talento incrível que a autora tem para criar histórias envolventes do começo ao fim. E lembre-se de uma coisa, nada é o que parece e a explicação mais simples é sempre a correta.
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