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Resenha: Um corpo na biblioteca

Título: Um corpo na Biblioteca

Autor: Agatha Christie

Editora: Nova Fronteira

Ano de publicação: 2014

Páginas: 180

ISBN: 97885209365335

Nota: 05/05


Como todas as histórias da nossa Rainha do Crime, mais uma vez passei o livro todo tentando achar algum indício de quem poderia ser o criminoso ou a criminosa da vez, mas parece que a autora gosta de manter os mistérios até quase as últimas páginas.


Tudo começa na casa dos Bantry, um corpo de uma garota desconhecida foi encontrado já sem vida na biblioteca deles. Ninguém sabe como aquela garota foi parar lá. Os principais suspeitos de início são os donos da casa e os empregados, mas logo a polícia percebe que, na verdade nenhum deles pode estar envolvido no crime e que sua solução pode ser mais complexa e demorada.

"- Eu sei, eu sei meu caro, mas olhe bem. O negócio poderia ser um bocado incômodo para você. Um homem casado, que ama sua mulher e tudo mais. Mas aqui entre nós, se tem alguma ligação com a vítima, é melhor dizer agora."

A Srª Bantry decide convidar Miss Marple para lhe fazer companhia nessa situação difícil, e aproveita para usar a esperteza de sua amiga para tentar descobrir antes da polícia o que realmente aconteceu na sua casa. Miss Marple tem fama de descobrir as brechas que a policia deixa para trás e com isso, consegue resolver os casos mais rápido, além do mais, ela é moradora da região e conhece a todos, o que facilita saber quem é quem, os podres da cidade, quem pode ser um possível suspeito entre outras coisas.

Neste caso, Miss Marple desconfiava que a moça morta, era uma certa loira que de uns tempos para cá, vivia na casa do jovem Basil Blake, que a propósito era odiado pelo Srº Bantry e Basil compartilhava do mesmo sentimento por ele. O Coronel Melchett responsável pela investigação interroga Arthur Bantry, um grande amigo seu e aconselha ele a ser sincero e não esconder nada para poupar futuros aborrecimentos. O Srº Bantry se sente ofendido e afirma novamente não conhecer a garota morta e que seria bem capaz de Basil Blake ter feito isso para tentar incriminá-lo.

O Coronel vai até a casa de Basil Blake, mas é recebido com quatro pedras na mão pelo garoto. Basil aparenta ser bem mimado, festeiro e principalmente sem educação. Ele não da a menor atenção para os policiais, e então o Coronel decide ir embora.

Slack estava repassando para Melchett todas as informações que tinha conseguido até o momento até serem interrompidos por uma ligação. Finalmente a identidade da garota morta veio à tona. O nome dela era Ruby Keene, 18 anos, dançarina profissional, 1,60m, magra, cabelos louros platinados, olhos azuis, nariz arrebitado e usava um vestido toalete branco brilhante e sandálias prateadas quando sumiu. Batia exatamente com as características da garota encontrada na Biblioteca dos Bantry.

Descobrem que a garota trabalhava no Hotel Magestic como dançarina e para entender melhor sobre a vida da moça, vão até o local interrogar algumas pessoas. Para ficar a par da investigação, a Srª Bantry convida Miss Marple para passar uns dias no hotel para instigar sua amiga a descobrir fatos novos sobre o assassinato, e quem sabe descobrir o assassino.

"A figura extravagante de uma jovem. Uma jovem com cabelos artificialmente embelezados que lhe caíam sobre o rosto em cachos e anéis. Seu corpo franzino trajava um vestido toalete de cetim, sem costas, de cor branca reluzente"

O inspetor Slack fica encarregado de colher os depoimentos ao lado de Melchett. Eles conhecem Josie, companheira de Raymond o dançarino e professor de tênis do hotel e prima de Ruby Keene. Ela explica o que aconteceu com a moça antes dela sumir. Ruby estava substituindo Josie nas danças que tinham no hotel, pois ela havia se machucado e estava com dificuldades para dançar. Ela então explica que, Ruby sumiu e não deu nenhuma satisfação e teve que substituí-la na última dança porque a moça não aparecia. A prima de Ruby parecia estar mais nervosa com a morte da moça do que chateada com a situação.

Apesar disso, eles questionam por que a moça não ligou para a polícia sendo que quem tinha ligado tinha sido outra pessoa, então ela explica que achava que nada demais tinha acontecido e que o Srº Jefferson foi quem ligou. Ela tinha achado até precipitado a atitude dele, mas depois de saber o que tinha realmente acontecido, percebeu que foi o melhor a ser feito.

Ao conversarem com o Sr. Jefferson, descobrem que ele gostava muito de Ruby e que ia adotar a menina. Ele já tinha até incluído a moça no seu testamento. Esta situação faz com que tanto a sua nora Adelaide Jefferson quanto seu genro Mark Gaskell se tornem suspeitos do crime.

O Srº Jefferson é deficiente físico. Voltando de uma viagem da França, o avião em que viajava sofreu um acidente e morreram todos: o piloto, a Srª Jefferson, Rosamund sua filha e Frank seu filho. Conway Jefferson teve suas pernas fraturadas, mas era algo irrecuperável, então suas pernas foram amputadas. Mesmo depois disso, ele não deixou a tristeza tomar conta de sua vida. Desde então, ele gosta de ter pessoas jovens próximas a ele, Ruby era um exemplo. Ela fazia companhia para ele, conversava bastante com ele, o que fez com que ele tomasse a decisão de torna-la sua filha.

"- A única coisa que não posso compreender é esse súbito extravasamento de afeição por essa moça. Ela devia ter, realmente, qualidades excepcionais.
- Provavelmente, não. - disse Miss Marple calmamente."


Mesmo depois de interrogar a todos os envolvidos na história, parecia que achar provas do assassinato ia ser bem difícil. No meio disso, um novo assassinato acontece. Uma garota foi encontrada carbonizada dentro de um carro em uma pedreira. Isso seria um sinal? Os dois crimes têm conexão um com o outro? É exatamente isso que a polícia e Miss Marple querem saber.

A busca por provas e possíveis brechas que o assassino possa ter deixado é constante, mas parece que, muitas peças só vão se encaixar depois que armadilhas pegarem alguns suspeitos.

Como sempre, não consegui descobrir quem era o assassino. Quando você acha que é aquela pessoa, vem a autora e mostra um outro caminho para a solução do crime. É simplesmente incrível. Você é surpreendido o tempo todo por novos fatos que mudam o rumo das investigações e começa a desconfiar de todos.


É o segundo livro que eu leio da autora e confesso que estou impressionada com a sua capacidade de fazer revira voltas nas suas histórias. Outra coisa, ela nos fala bastante da cultura britânica. Dessa vez ela mencionou sobre o jogo bridge, um jogo de cartas que para alguns pode ser bem entediante já para outros não. Gosto de ler os livros dela justamente por isso, além de as tramas serem bem construídas, sempre aprendemos coisas diferentes.
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