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RESENHA - O DEMÔNIO NA CIDADE BRANCA




Título: O Demônio na Cidade Branca
                                           
Autor: Erik Larson
                              
Editora: Record

Ano de publicação: 2005

Páginas: 560

ISBN: 9788501070401

Nota: 05/05




Eu nasci com o demônio. Não pude evitar o fato de ser um assassino, assim como o poeta não pode evitar a inspiração para compor.
Confissão de H.H. Holmes

Não consulte o dicionário ou o Google para saber o que significa a palavra “magnífico”. Basta ler esse livro e descobrir que ele o é.


No final do século XIX uma Feira Internacional revolucionou o mundo em todos os sentidos, para o bem e para mal. Em 1893 a Exposição Colombiana Universal de Chicago celebrou os 400 anos da chegada de Cristóvão Colombo às Américas e com ela vieram muitos problemas e superações vindas de uma cidade desacreditada, porém promissora, Chicago, a cidade fétida dos abatedouros de porcos.
A exposição tinha como objetivo superar a Feira de Artes Decorativas de 1884 em Paris, onde a Torre Eiffel foi inaugurada, ou seja, uma missão nada fácil. Os EUA estavam obcecados por essa superação e iniciou a escolha da cidade que sediaria o evento. Entre as cidades escolhidas estavam Nova York, Washington, Saint Louis e Chicago, que acabou ganhando e surpreendendo o país inteiro. Chicago teve a oportunidade de se superar também, pois em 1871 a cidade enfrentou uma catástrofe, O Grande Incêndio de Chicago, que vitimou mais de 300 pessoas.
Chicago era uma cidade problemática em diversos sentidos, mas que despontava como um centro promissor de bons negócios e residências urbanas. Sua arquitetura vinha há pouco tempo ganhando espaço e com isso um dos maiores expoentes do ramo até hoje, Daniel Burham, tomou a frente para dar vida à exposição.
Burham já era um grande conhecido da arquitetura e chamou seu sócio John Root para liderar o desafio. Os dois montaram um time de profissionais que, se comparado a ícones atuais conhecidos, pode-se dizer que eram: Ronaldo (fenômeno), Romário, Maradona, Zidane, ente outros mitos. Com tantos homens renomados, a exposição não tinha como dar errado. Será?

Herman Webster Mudgett, mais conhecido como Dr. Henry Howard Holmes, percebendo que a cidade estava em crescimento decidiu fazer dela sua moradia e terreno para seus golpes, sem contar suas crueldades.
Com o ar galanteador e sereno, Holmes conquistava facilmente belas mulheres e conseguia a confiança dos homens, que à época, quase nada conheciam sobre a maldade do ser humano. Fingindo ser médico o forasteiro dos olhos azuis conseguiu um emprego numa farmácia ordinária, onde mais tarde seria dono, com métodos nada ortodoxos.
O estabelecimento de Holmes prosperou e a clientela, sua maioria de mulheres, não parava de aumentar, o que lhe deu margens para a expansão de seus negócios. Holmes comprou um terreno e logo começou a construção de um prédio de 100 quartos que ficou conhecido como o Castelo dos Horrores. Além de possuir algumas lojas, o castelo servia de hotel para abrigar os visitantes da exposição que aconteceria em breve.
Com suas artimanhas e extrema habilidade para dissimulação ele foi arquitetando seus planos. Sua maior habilidade era casar-se com alguma jovem inocente sonhadora e convencê-la a fazer seguros de vida tendo como o maior beneficiado ele mesmo, e é claro que ele dava seu jeitinho de conseguir esse benefício. Casando-se aqui e ali, seu capital aumentava e a vontade de cometer mais delitos acompanhava essa constante ao passo que a inauguração da exposição se aproximava, e com ela mais mulheres chegariam à cidade.

Vista aérea da área da Exposição, retratada em cartão postal da época.
Burham e sua equipe tiveram pouco mais de dois anos para concluir todo o esquema da exposição até sua inauguração. Durante esse período houve brigas, comemorações, perdas, alegrias, tudo o que o homem pode sentir eles sentiram. A mídia e o governo pressionavam cada dia mais pela conclusão do espaço que foi fechado no Jackson Park. Essa pressão alterou toda a cadeia trabalhista e ajudou a revolucionar leis para os trabalhadores em geral.
Depois de muita luta a exposição finalmente foi inaugurada e só no seu primeiro dia estima-se que mais de 620 mil pessoas frequentaram a feira. Mesmo incompleta a feira trouxe otimismo para a cidade, porém por pouco tempo, pois alguns incidentes mancharam a imagem da exposição.
A mais aguardada atração foi a roda gigante de Ferris, que quase dois meses após a inauguração da exposição foi concluída com seus 80 metros de altura e 36 carros, e trouxe novas esperanças.
Com a exposição no seu nível de potência nas alturas, Holmes não parava de lucrar com as moças em seu hotel e pelo mundo afora. Dezenas de pessoas foram dadas como desaparecidas na época da feira, que durou 6 meses, e tudo indica que Holmes tem tudo a ver com isso, apesar de ele ter confessado apenas 27 assassinatos e foi condenado à morte por menos de 10 deles.

Esse livro sem dúvida nenhuma se tornou um dos meus favoritos, tanto pelos fatos envolvidos quanto pela qualidade na estrutura que o autor criou para nos contar esses fatos. Muitas vezes livros baseados em fatos são enfadonhos por conter muitos detalhes e pouco dinamismo, mas Erik Larson escreve de um jeito fantástico e segundo ele, foi totalmente pesquisado em campo, através de bibliotecas e visitas a locais específicos, NADA DE INTERNET. O livro em nenhum momento ficou chato, muito pelo contrário, a cada página o interesse é ainda maior.
É um livro rico em referências, acontecimentos históricos e cita diversos nomes da história mundial, como Thomas Edison, Buffalo Bill, até mesmo o pai de Walt Disney, entre outros mais. Novidades gastronômicas e tecnológicas foram lançadas na exposição e são consumidas por nós até os dias de hoje. O hot dog e a energia elétrica são exemplos disso. A primeira vez que o juramento à bandeira americana foi recitado, foi na cerimônia de inauguração da Exposição. Enfim, a Exposição Colombiana Universal de Chicago foi um divisor de águas para o mundo. Até um famoso Transatlântico fez parte da história.
Mas como todo momento tem seu fim a exposição também teve o seu. Em 5 de julho de 1894, incendiários puseram fogo nos sete maiores palácios da exposição e o que nos resta são poucas imagens do acontecimento, pois fotógrafos tinham que ter uma espécie de licença paga para entrar com sua máquinas.
Roda gigante de George Washington Gale Ferris
Mesmo com o fim da feira, Holmes continuou com suas atividades malignas e depois de alguns anos foi descoberto e executado em 1896. Ele é considerado o primeiro serial killer da história dos EUA e a forma que ele matava suas vítimas é de impressionar até mesmo o maníaco do parque.
O Chicago Times-Herald fez uma abordagem sobre Holmes: “Ele é um prodígio da perversidade, um demônio humano, um ser tão inimaginável que nenhum escritor ousaria criar um personagem assim.



É um livro tão sensacional que não dá pra parar de falar dele, mas tenho que parar. Recomendo ele a todos que curtem fatos históricos e a todos que gostam de um bom livro.
Ah, já ia esquecendo, ano passado houve rumores de que a adaptação fosse feita pela dupla mais famosa do cinema: Martin Scorcese e Leonardo Di Caprio, porém esse ano não vi mais nada sobre o assunto. Se souberem de algo nos avise rs...

Não consigo imaginar outra música a não ser a do Soulfly pra quebrar tudo!

I pledge allegiance to the flag of the United States of America, and to the republic for which it stands, one nation under God, indivisible, with liberty and justice for all.
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