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Resenha: Perdão Mortal

Título: Perdão Mortal (Livro 1)

Autor: Robin Lafevers

Editora: Plataforma21

Ano de publicação: 2014

Páginas: 404

ISBN: 9788576839132

Nota: 05/05

Livro cedido pela Plataforma21 para resenha.

Vou confessar que, quando vi a capa e a sinopse, eu fiquei muito empolgada para ler. Fiquei namorando por um tempo e foi então que solicitei os livros para a nossa editora parceira V&R e que agora, tem seu selo juvenil chamado Plataforma21.

Conhecemos nossa personagem principal Ismae Rienne. O livro todo é retratado pelo ponto de vista dela. A moça é filha de um plantador de nabos de uma pequena cidade, mas ele era uma pessoa horrível para ela. Para termos uma noção da sua ruindade, ele vendeu sua própria filha por três moedas de ouro para um homem chamado Guillo.

Ismae já sabia que sua vida seria um inferno vivendo com aquele homem horrível. Ela sentia seu pai triunfante por ter conseguido finalmente livrar-se dela. Ela já sabia que sua vida dali para frente seria terrível. A cerimônia de seu casamento com Guillo foi simples e rápida, para o desespero da moça. Depois de finalizada, o homem pede para que ela o espere em seu quarto. Ela sabia que seria horrível o que ia acontecer com ela, mas não tinha nada que ela poderia fazer.

“- Boas intenções são apenas mentiras que os fracos contam para si mesmos.(...)”

É então que nesse momento, o segredo mais íntimo de Ismae é revelado e o homem simplesmente a rejeita completamente e a tranca dentro de um porão. A moça fica sem entender e se sente até aliviada, mas ela ainda acha que não está segura. Algo de muito ruim ainda pode acontecer a ela.

Depois de ter adormecido sem perceber, ela é acordada por uma mulher dizendo que ia ajudá-la, mas ela tinha que ser rápida. Ismae não pensa duas vezes e foge com a mulher. Ela não fazia ideia para onde estava indo e nem se era alguma armadilha. Mas algo dentro dela, dizia para confiar e seguir em frente.

Foram muitos dias de viagem escondida, desconfortável, sem conseguir dormir ou comer direito, mas ela já se sentia mais segura. Sabia que estava muito longe de casa e que aquelas pessoas horríveis que a maltratavam, não estavam mais ao seu alcance.

Finalmente ela chega ao seu destino final. O convento de Saint Mortain o Deus da morte. Ismae não entende muito bem o motivo de estar ali, mas sabia que estava segura naquele lugar. A abadessa do convento explica que, ela é filha da morte e questiona Ismae sobre seu nascimento. Na mesma hora a garota explica que sua mãe tomou um veneno para tentar expulsa-la de seu ventre, pois a gravidez não era desejada, mas que não adiantou, e a consequência para ela da atitude da sua mãe, foi uma marca enorme em suas costas. A abadessa explica que por ela não ter morrido naquele momento, o Deus da morte a concebeu como sua filha. E então, Ismae entende o que ela está fazendo ali. Ela será treinada para matar em nome de Mortain. Se ela decidisse fazer seus votos, teria que servi-lo de todas as formas que ele precisar e desejar. O treinamento consistia em, aprender a manusear todo tipo de armas, facas, punhais e uma das coisas mais complexas e perigosas, aprender a manusear venenos de várias formas possíveis.

“Ser gerada por um dos santos mais antigos coloca sua linhagem em uma classe própria, uma classe tão intocável pela nobreza quanto a nobreza pelos plantadores de nabos.”

E então, depois de sair da sala da madre superiora ela conhece a noviça Annith. De cara as duas se tornam amigas e a garota ajuda a Ismae entender melhor como funcionam as coisas. Quando as duas chegam até o dormitório, Ismae vê uma garota com os braços amarrados. Sybella era o nome dela. A garota chegou até o convento muito agitada, não deixava ninguém se aproximar, parecia que a garota estava ficando doida. E então, ela não sabia exatamente qual era o objetivo de manterem ela ali. Ninguém conseguiu explicar o real objetivo do convento. Só depois de muita insistência é que a garota começa a ouvir o que todas têm a dizer sobre o local e começa a se acalmar.

Uma grande amizade entre Ismae, Annyth e Sybella começa, o que eu achei muito legal, ver a união delas, sempre querendo uma ajudar a outra a superar as dificuldades em algum tipo tarefa, uma ensinando a outra algo que já sabia. Como Sybella já teve experiências amorosas, ela ensina as garotas segredos de sedução e de como chamar a atenção de um homem. Sim, se fosse necessário, elas teriam que dormir com homens desconhecidos para conseguir cumprir a missão designada por Mortain.

Nos dois testes que Ismae fez a mando do convento, tudo deu certo. Ela viu a marca de Mortain nos dois homens que matou, a marca da morte, aquela que mostra que a pessoa está destinada a morrer. Só que, essa marca, com o tempo vai intrigar muito Ismae sobre o que realmente ela significa. Mas, como nem tudo são flores, parece que alguém não ficou muito feliz com as mortes causadas por Ismae. Conhecemos finalmente nosso querido Duval, que delicadamente invade a reunião que a madre estava fazendo com sua noviça e o Chanceler Crunard. Ele é irmão da Duquesa Anne, que está envolvida em uma confusão enorme entre a Bretanha e a França. A regente Francesa está querendo tomar o poder da Bretanha das mãos de Anne, mas Duval está tentando de tudo para impedir tudo isso, mas parece que seus planos de investigação foram atrapalhados pelo convento que dizia estar do lado da Duquesa. As duas mortes foram determinas pelo Chanceler Crunard, que era fiel a duquesa e queria ajudar a acabar com os traidores. A situação da Duquesa era bem complicada. Tinha sido prometida em casamento para vários homens e um deles o conde D’Albret, havia decido por si só que se casaria com ela a qualquer custo. Para conseguir se proteger da regente francesa, a duquesa teria que se casar para conseguir juntar forças e ter um exército a sua disposição, o que deixava as coisas ainda mais complicadas. Ela teria que se casar querendo ou não com alguém. Mas, Duval não deixaria de maneira nenhuma que a Duquesa se casasse com um monstro.

“As pessoas ouvem e veem aquilo que esperam ouvir e ver.”


É então que a abadessa decide mandar Ismae junto com Duval para que o convento tivesse dois olhos junto aos nobres que cercavam a duquesa. E foi ai que a primeira missão de Ismae estava para começar. Assim como Sybella, Ismae finalmente ia poder sair do convento e exercer suas habilidades especiais. Já Annyth, não se conformava em ter que ficar trancada naquele lugar sozinha, sem notícias de suas duas amigas.

Com a partida de Ismae para o castelo, a história muda muito, e fica bem intrigante. No começo, percebemos que Ismae serve ao convento fielmente e segue todos os passos que foram passados a ela. Até que, em certo momento ela desperta para a realidade. Todos somos seres humanos, será mesmo que podemos confiar o tempo todo um no outro? Outra coisa, Duval questiona Ismae em certo momento que como ela poderia matar alguém sem nem se preocupar em saber quem era aquela pessoa? E se a pessoa fosse inocente? E se a pessoa fosse uma peça fundamental para toda uma história e ela simplesmente matasse a pessoa sem nem tentar dar uma chance de para a pessoa mudar de ideia? O “e se” começou a perseguir Ismae e em muitos momentos a fez hesitar em cumprir ordens que deveriam ser seguidas. Fiquei muito feliz por isso, pois parecia que Ismae era uma marionete nas mãos do convento, e que faria sempre tudo o que eles pedissem sem questionar nada.

“- Então certamente todos deveriam ter a marca de Mortain pela traição.
- Apesar disso, não têm. Como eu disse, desconfio de que seu santo seja mais complexo do que seu convento a fez acreditar.”


Acredito que ela só tenha realmente acordado, depois de conhecer a Duquesa e começar a perceber que a situação dela era tão difícil que ela deveria começar a usar a cabeça antes de usar uma faca. A história é repleta de revira voltas, traições e falsidade para todos os lados. Eu me surpreendi bastante com a leitura, principalmente por não ser nada cansativa, muito pelo contrário. O que me deixa feliz é já ter em mãos a continuação! Sinceramente, tenho muitas expectativas para o próximo livro que vai falar sobre Sybella. Tenho certeza que será uma leitura tão incrível como foi a desse primeiro livro.
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