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RESENHA - A PASSAGEM (LIVRO 1)




Título: A Passagem 
                                           
Autor: Justin Cronin
                              
Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2010

Páginas: 816

ISBN: 9788580410693 

Nota: 05/05



Quando o homem tenta ser imortal, o fim da humanidade é uma questão de tempo.”

Cientistas americanos fizeram uma expedição nas florestas da Bolívia e acreditaram que encontraram acidentalmente a cura para todas as doenças, não só a cura, mas também a imortalidade e a virilidade que o homem jamais conheceu. O que poderia dar errado numa descoberta dessas? A extinção da raça humana e o domínio de criaturas grotescas sobre o mundo!


Após descobrir que cientistas podem estar a um passo de fazer a descoberta que pode ser o maior feito de todos os tempos, o exército americano toma conta dessa pesquisa e põe tudo a perder onde tinha muito a ganhar. O doutor Jonas Lear é quem encabeça a pesquisa e agora sob o comando do exército é obrigado a fazer testes em cobaias. Seus primeiros testes são realizados em macacos, ratos, enfim, toda a sorte de animais, mas para o exército, que queria resultados imediatos, cobaias humanas era a solução.
Para os testes em humanos foram escolhidos prisioneiros condenados à morte para usar no terceiro estágio de testes de uma droga experimental, em uma operação de codinome Projeto Noé, um projeto que teria como finalidade criar homens indestrutíveis para combates militares. Em troca de seu consentimento, esses homens teriam a sentença comutada para prisão perpétua. Esse nome, Projeto Noé, foi dado porque a ideia era criar homens com capacidade de viver por centenas de anos, assim como o personagem da Bíblia que viveu por mais de 900 anos.

O recrutamento desses homens foi feito por Brad Wolgast, um agente do FBI que já tinha seus próprios demônios para conviver, porém sem saber, acabou entrando numa jornada onde demônios mais cruéis estariam para entrar em sua vida. Wolgast e seu parceiro, Doyle, convenceram os prisioneiros a vir com eles a fim de terem suas penas diminuídas em troca de favores, os quais sequer foram questionados.
Na apreensão do último prisioneiro no Texas, Anthony Carter, Wolgast já estava exausto com sua tarefa, mas decidido a terminá-la, não imaginando que a partir dali sua vida, ou o que restava dela, mudaria completamente. Após resgatar o último prisioneiro o agente é informado que precisa resgatar mais uma cobaia, porém essa nova cobaia estava fora dos planos e não preenchia as características das demais. A última cobaia era Amy, uma criança de apenas seis anos.
Contrariado com essa nova missão, Wolgast sai em busca de Amy, que até ali já havia passado por poucas e boas, e que tinha sido deixada por sua mãe aos cuidados de algumas freiras. Ao encontrar Amy, o agente começa a se apegar à menina cada vez mais e decide fugir com ela.

Ao mesmo tempo em que Wolgast e Amy travam uma peregrinação em busca da salvação, o que dura pouco tempo, pois são capturados pelo exército, algo de errado acontece no laboratório onde eram feitos os testes nas cobaias. As cobaias reagiram de forma diferente do esperado e tornaram-se grandes e fortes monstros fluorescentes com sede de sangue, o que leva o exército a vigiá-los vinte e quatro horas por dia.
Mesmo vigiados eles conseguem de alguma forma entrar na mente dos vigias a fim de soltá-los. Com seu poder de persuasão mental não demorou até que os monstros conseguissem o que queriam e assim saíram do laboratório para aterrorizar o mundo. Wolgast e Amy também conseguem escapar e iniciam uma nova fuga.
Os ataques destas bestaferas levaram a população à morte em todos os EUA, e quando as pessoas não eram mortas pelos ataques, se transformavam nesses monstros horrendos, criando assim uma reação em cadeia sem precedentes. Sem saber direito o que aconteceu, Wolgast procura abrigo para ele e Amy sobreviverem. Amy, que não abre a boca para dizer nada, sente-se segura com o agente, mas por pouco tempo.
Logo o país é consumido pelo vírus que esses monstros espalham e praticamente todo o território fica inabitável.

Após noventa e três anos (isso mesmo, 93!), Amy aparece numa colônia onde habitam poucos sobreviventes da raça humana, porém com um detalhe: ela está com aparência de uma garota de quatorze anos. Com sua chegada a rotina da colônia, que não era das mais fáceis, é completamente virada do avesso e os “Virais”, assim como o pessoal da Colônia os chamam, conseguem adentrar os muros da Colônia levando carnificina e desolação por ali. Tendo sua integridade ameaçada pelos moradores da Colônia, Amy é salva e levada por um grupo de moradores que acreditam que ela é a resposta para a salvação humana.
Nessa jornada o novo grupo de amigos de Amy ainda não sabe de onde ela veio, como e por que, porém sabem que a sobrevivência dela é de vital importância para que a humanidade não seja completamente extinta e fique apenas na história.
Graças a documentos resgatados que comprovam alguns acontecimentos, e alguns diários de alguns personagens que são apresentados numa conferência mundial no ano de 1003 D.V. (depois do vírus, creio eu), conhecemos os fatos que aconteceram no início do século XXI que mudaram todo o rumo da humanidade.

Saber escrever é para poucos, mas saber escrever e ainda conseguir fazer o leitor se envolver com praticamente todos os personagens, isso é pra muito poucos. Cronin domina com maestria o estilo de mistério e suspense numa trama que envolve ficção, emoção, repulsa, curiosidade, todo sentimento possível. A Passagem nos apresenta o início da epidemia dos virais e os personagens que foram escolhidos para livrar o mundo deles.
Com a notícia de que mês que vem será lançado o último volume da trilogia (Cidade dos Espelhos), tive que reler esse livro espetacular e confesso que fiquei ainda mais envolvido na história do que na primeira vez.
O mais interessante dessa história é como todos os personagens tem um passado tenebroso, e como eles conseguem se sobressaltar apesar de todo o mal que já presenciaram e ainda vão presenciar. Suas feridas são impossíveis de cicatrizar, porém com a união eles são capazes de criar esperança e continuar lutando.

Cronin nos leva a um mundo que não estamos tão distantes se pensarmos na ignorância e na ambição que muitos poderosos pelo mundo tem quando o objetivo é mais poder e lucro para si.
Recomendo sem medo a leitura dessa trilogia (é sério, LEIAM!), que para mim poderá ser a segunda melhor já escrita na história mundial. Vai depender do desfecho, que duvido que não atenda às expectativas.

Para essa leitura indico a banda americana Machine Head, em especial essa música (Night of Long Knives) que parece que foi feita exatamente para um trecho do livro onde muito sangue é derramado.

You won’t see us come!”
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