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Resenha - A Tormenta de Espadas - As Crônicas de Gelo e Fogo


Título: A Tormenta de Espadas – As Crônicas de Gelo e Fogo #03

Autor: George R. R. Martin

Editora: LeYa

Ano de publicação: 2011

Páginas: 884

ISBN: 9788580442625

Nota: 05/05



Ah, o amor

A Tormenta de Espadas é o terceiro livro da série As Crônicas de Gelo e Fogo, do autor norte-americano George R. R. Martin e, sem dúvidas, é o melhor livro da série até o momento. O livro segue após os acontecimentos em A Fúria dos Reis e se desenvolve com uma trama cheia de reviravoltas, amor e muita, mas muita estratégia, sangue e ganância. A maioria dos acontecimentos que ocorrem nesse livro é impulsionada por amor, que às vezes se torna cego.

Como sabemos, o livro é narrado pelo ponto de vista de alguns personagens da série, que nesse terceiro livro estão espalhados por toda Westeros, Para Lá da Muralha e também pelas Terras do Mar do Verão.

Jon Snow chegou a passar por apuros em uma região habitada por selvagens, lá se encontra com o líder dos selvagens, Mance Ryder, que no passado foi um homem da Patrulha da Noite e agora é conhecido como “Rei-Para-Lá-da-Muralha”. Jon aos poucos consegue ganhar a confiança dos selvagens e principalmente de Mance, e descobre quais são os planos dos selvagens contra o Sete Reinos. Mas para conseguir tal confiança, Jon passou por apuros, precisou mostrar que realmente não era mais um homem da Patrulha da Noite.

Catelyn Stark também é uma das personagens principais do livro e responsável pela grande parte dos acontecimentos que ocorrem nesse livro, a maioria de suas decisões é tomada por impulso e por amor às suas filhas. Nesse caso, ela tem Jaime Lannister cativo em Correrrio, mas temendo pela segurança de suas filhas, reféns em Porto Real, ela decide libertar Jaime por contra própria. Catelyn ordena que Brienne seja a responsável por levar Jaime em segurança até Porto Real e trocar ele pelas filhas Sansa e Arya – Catelyn não sabe que sua filha mais nova está bem longe de Porto Real. Catelyn é repreendida pelo seu irmão Edmure por ter soltado Jaime, mas é perdoada pelo Rei do Norte e seu filho Robb Stark.

“Todos os homens são bobos, na verdade, mas aqueles que se vestem de quadriculado são mais divertidos do que os que usam coroa.”

Robb Stark que para a surpresa de muitos, inclusive de sua mãe, casou-se enquanto estava em batalha com Jeyne Westerling, que é de uma casa pequena nos Sete Reinos, mas que é juramentada aos Lannister. O casamento de Robb com Jeyne pode trazer enormes problemas para a sua causa, já que Robb quebrou o juramento que havia feito a casa Frey de se casar com uma de suas filhas, e em troca os Freys o ajudariam na sua guerra contra os Lannister e com Theon Greyjoy que tomou Winterfell. Mas Robb pretende se reunir com Lorde Walder Frey para reparar a ofensa que cometeu.

Tyrion Lannister que para mim é o meu personagem favorito dessa saga passa por situações complicadas nesse livro, logo ele, que foi o responsável pela vitória dos Lannister na Batalha da Água Negra no livro anterior. Após quase ter morrido na batalha e ter ficado um bom tempo fora dos acontecimentos em Porto Real, Tyrion desperta para a vida, e a batalha lhe trouxe feridas, o anão teve o rosto desfigurado e perdeu o nariz, não só perdeu o nariz, como também perdeu o cargo de Mão do Rei que agora é ocupado pelo seu pai. Tyrion é posto de lado em algumas situações, ele não tem boa relação com o Tywin Lannister, que o coloca como Mestre da Moeda de Porto Real, já que o ocupante anterior, Petyr Baelish agora é senhor do Tridente e pretende se casar com Lysa Arryn e trazer a casa Arryn para o lado dos Lannister.

"Nas mãos erradas, uma moeda é tão perigosa quanto uma espada."

Tyiron nesse livro tem que se preocupar com Cersei, que tem informantes por todos os lados e, agora com o seu pai próximo, qualquer deslize do anão, pode lhe trazer problemas. Sem falar que Tyrion é muito humilhado pelo seu sobrinho e rei Joffrey, Tyrion muitas vezes teve sangue frio para não fazer besteira, mas no final desse livro ele surpreende e muito.

As irmãs, Sansa e Arya ainda vivem situações distintas. Sansa vive cativa em Porto Real, feliz por não precisar mais casar-se com o rei Joffrey, mas surpresa com um casamento que lhe foi arranjado por questões “políticas”.

Já Arya que para muitos já é considerada morta, é capturada pela Irmandade sem Bandeiras, um grupo de mercenários e criminosos. Quando ela tenta fugir do grupo, ela é capturada por Sandor Clegane que pretende leva-la até o seu irmão e ser recompensado por isso. Para muitos, o Cão-da-Caça era considerado um homem morto, já que não se tinha notícias suas após ter abandonado a Batalha da Água Negra por causa do fogovivo.

Bran e Rickon que foram dados como mortos no livro anterior, agora são procurados por Ramsay Snow, que provavelmente agora é senhor de Winterfell. Apesar de ser um dos personagens principais, Bran vai aprimorando a sua habilidade com a visão-verde, mas pouco avança na história.

A mesma coisa ocorre com Daenerys Targaryen, que ainda vive no continente de Essos, vê os seus dragões crescerem e ficarem mais obedientes aos seus comandos, mas não o suficiente para enfrentar uma guerra, já que Daenerys ainda tenta arrumar mais soldados para conquistar o Trono de Ferro e enquanto faz isso, acaba conquistando terras e libertando os escravos nas cidades em que visita. O seu braço direito, Sor Jorah Mormont fica em uma situação difícil com a Mãe dos Dragões, por conta de seu ciúmes para com ela, e principalmente por uma revelação sobre o cavaleiro que abala a relação dos dois.

Stannis Baratheon que se auto intitula rei, tem o seu exército quebrado após perder uma boa parte do seu pessoal na Batalha da Água Negra, nesse livro ele está mais sossegado, tentando recuperar as forças e casas para o seu lado para tentar mais uma vez conquistar o Trono de Ferro.

"Em Porto Real, há dois tipos de pessoas. Os jogadores e as peças."

Esse é sem dúvidas o melhor livro da série até aqui. Ao longo de pouco mais de 800 páginas, vemos como o poder sobe à cabeça das pessoas, como também o amor pode levar as pessoas a fazerem coisas e não pensarem nas consequências que as decisões podem ter no futuro. Exemplo maior está nos Starks, Robb e Catelyn fizeram coisas que podiam ser facilmente evitadas, e pagaram um preço muito caro pelas suas escolhas.

Um personagem que me surpreendeu muito nesse terceiro livro é Petyr Baelish. O Mindinho é sem dúvidas um dos melhores “jogadores” que existe. Mesmo não aparecendo muito, ele é um dos responsáveis por grandes partes dos acontecimentos decisivos que ocorrem nesse livro.

“Algumas batalhas ganham-se com espadas e lanças, outras com penas e corvos.”

Tywin Lannister também tem papel importante nos acontecimentos, ele mesmo dizia que uma batalha, muitas vezes se vence usando somente penas e corvos, e ele faz isso com maestria, dando um pouco de alívio ao seu jovem rei, que tem um casamento a se preocupar. Mas como os Lannister sempre paga as suas dívidas, Tywin acaba pagando a dele.

Não vi pontos negativos nesse livro, no segundo livro havia feito uma crítica pelo fato de alguns personagens terem intervalos de muitas páginas e isso acabava atrapalhando a leitura, mas Martin informou que os acontecimentos que ocorrem no universo do livro, de fato são demorados, então, segue o jogo. O livro também revela coisas que estavam em aberto lá do primeiro livro, e revela coisas do passado, como por exemplo, o amor de Jaime por Cersei, ou o amor de Midinho por Catelyn. Isso me deixou satisfeito.
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