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RESENHA - A CIDADE DOS ESPELHOS (LIVRO 3)



Título: A Cidade dos Espelhos 
                                           
Autor: Justin Cronin
                              
Editora: Arqueiro

Ano de publicação: 2016

Páginas: 688

ISBN: 9788580416435

Nota: 04/05




Tudo que existe é o amor, e o amor é dor, o amor é tirado de nós”.

Por todos os voadores, mano! Lá se foi mais uma trilogia magnífica. Após a batalha contra Os Doze levar Amy para longe de seus amigos, resta para eles desfrutarem da paz de um mundo livre dos virais. Será?


Peter e seus amigos estão mais velhos do que quando os conhecemos na Colônia. Amy desapareceu na explosão contra Os Doze, Alicia fugiu sem dar notícias e as crianças, Caleb e Kate, cresceram e tornaram-se mais inteligentes e fortes.
Cada personagem tomou seu rumo e escolheu seu destino após a fatídica luta contra os virais, porém nem sempre as escolhas que fazemos são as que realmente acontecerão. Peter deixou o exército para poder desfrutar de mais tempo com o sobrinho Caleb, que na verdade agora é seu filho.
Tudo muda quando a Presidente da República do Texas chama Peter para ocupar um cargo político e quando Michael encontra um navio à deriva vindo da Europa. Mas os mares não estavam cercados por minas que impediam a fuga das pessoas do continente americano até a Europa? Parece que não.

A história volta no tempo na década de 90 A.V. (antes do vírus) para contar sobre Timothy Fanning, o cientista que ajudou Jonas Lear na pesquisa que desencadeou o vírus. Fanning, além de pesquisador, tornou-se o paciente Zero, o mais poderoso dos virais. Os Doze eram apenas alguns dos Muitos dele.
A história de Zero é narrada por ele mesmo quando ainda estava na faculdade onde conheceu Jonas. Narrado em primeira pessoa a história fica um pouco maçante, mas nem um pouco desinteressante. Zero (ou Fanning na época) nos conta detalhes emocionantes que mais uma vez não tem como se envolver com o personagem. Entre remorsos, sucessos e pecados, essa parte da história revela o viral mais poderoso que ficou escondido por mais de 100 anos planejando seu ataque mortal contra a humanidade remanescente.

Intercalada com o passado, na Era atual, 122 D.V. (depois do vírus), temos Peter como Presidente da República do Texas já com 55 anos e seus amigos tão experientes quanto. Aparentemente ele, seus amigos e sua família vivem tranquilamente esperando o dia em que todos irão se mudar para começarem novas vidas. Puro engano!
Amy e Anthony Carter, a cobaia número Doze, estão vivendo isolados num navio esperando Zero se manifestar para contra-atacar. Enquanto esperam pelo ataque eles vivem nesse navio ao mesmo tempo em que vivem numa realidade paralela contada no mais alto nível de Justin Cronin.

Apgar Greer, o velho Coronel, tem uma ligação não revelada com Amy mesmo antes da extinção dos Doze e acaba contando a Michael que o pior ainda está por vir. Michael que já tinha planos para seu novo navio agora tem planos muito mais objetivos: consertá-lo e fugir com 700 pessoas dali o quanto antes, porém o número de habitantes é muito maior que isso e Peter está relutante quanto a essa fuga. O conserto desse navio já leva mais de vinte anos e o tempo corre contra eles, mas Michael é o eterno Circuito e a esperança ainda existe.
Zero está convivendo com Alicia, uma das suas, em Nova Iorque por algum tempo. Alicia se vê encurralada com as palavras de Zero que promete não atacar os humanos enquanto ela permanecer com ele, porém promessas são feitas para serem quebradas e o terror é novamente instaurado no mundo.
Diante da nova ameaça Peter, seus amigos e sua família lutam mais uma vez para sobreviver, só que desta vez a ameaça é muito maior, pois os virais não estão matando as pessoas. Eles estão as tomando para si e montando um exército poderoso.

Com o iminente ataque de Zero, Peter abre mão de suas convicções e dá ordens de evacuação imediata para ceder ao plano de Michael, que é fugir dali a bordo do navio. Entretanto, antes de Peter tomar essa decisão um ataque planejado minuciosamente por Zero acaba com milhares de vidas, inclusive de pessoas muito amadas por nossos protagonistas.
A bordo do navio Michael já sabe que Amy não está disposta a fugir e deixar Zero vivo, então ele, Peter, Amy e Alicia desembarcam rumo à Cidade dos Espelhos, Nova Iorque, a fim de travar a última batalha com o viral mais poderoso de todos e seus Muitos. Muitos contra quatro!

Dos três volumes da trilogia esse foi o que eu achei o mais fraco, porém como o estilo de escrever do JC é fantástico não tem como reclamar. (Livro 01, Livro 02).
Dessa vez Cronin optou por nos dar uma leitura mais amena, menos caótica para fechar sua história. O modo como ele conduziu a trama do início ao fim pode ser o porquê da demora desse lançamento, pois escrever como ele escreve não se vê por aí. Além do mais, ele criou essa trilogia a pedido de sua filha que gostaria de uma história onde uma garotinha salvasse o mundo. Presentão né?

A história é basicamente uma lição de esperança em meio a tanta desgraça. Mesmo com tanta dor e perda, Peter, Amy e seus amigos mesmo depois de velhos, tem a missão de mais uma vez salvar o que resta do mundo para dar um futuro às próximas gerações.
O que achei sensacional foi o epílogo do livro que conta a história no ano1003 D.V. (depois do vírus), onde estudiosos ainda mantêm os estudos sobre a grande devastação da América do Norte causada pelos virais. Dentre esses estudiosos há o professor Logan, que mesmo em poucas páginas conseguimos nos envolver com sua história, méritos mais uma vez para o grande JC.
A única decepção que tive foi com o destino de Michael, o Circuito, e com a consideração de seu trabalho que, pelo menos para mim, foi a que definiu o futuro da humanidade, muito mais do que a participação de Peter.

Para fechar a trilogia recomendo mais uma vez a Machine Head.

Only truth will help to set me free
My every weakness I must turn into strength

PROMOÇÃO:
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