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Resenha: Diário de uma Escrava

Título: Diário de uma escrava

Autor: Rô Mierling

Editora: DarkSide Books

Ano de publicação: 2016

Páginas: 240

ISBN: 9788594540195

Nota: 05/05

"Uma leitura impactante"

Nunca pensei que ia ler um livro tão profundo, pesado emocionalmente e com tantas cenas de sofrimento. Já faz alguns anos que acompanho o trabalho da Rô Mierling, autora de “Diário de uma escrava” e de vários outros livros de contos e crônicas que ela organizou junto com outros autores.


Conhecemos Laura, uma garota que foi sequestrada há quatro anos por um homem horrível, que ela chama de Ogro. Ela é mantida dentro de um buraco, desprovida de qualquer cuidado, a única pessoa que a alimenta é o Ogro, de vez em quando ela tem o direito de tomar um banho, mas com a supervisão terrível desse homem, além disso, para piorar a situação da garota, ele a usa como sua escrava sexual.

“Ouço um barulho. É o Ogro. Ele está vindo. Os passos dele são pesados. Escuto uma porta abrindo e seu avanço enquanto ele desce. Então  a última porta se abre e ele entra.”

Laura foi arrancada de sua vida. Ela era feliz, tinha apenas 14 anos, uma boa família, um namorado chamado Mauro, ia á igreja com seus pais e claro tinha muitos amigos. Apesar de reclamar um pouco da vida (que adolescente que não reclama), ela estava feliz. Mas, certo dia ela flagrou um homem a olhando de uma forma estranha. O problema, é que esse certo homem estava aparecendo com certa frequência, mas ela preferiu ignorar, até que tudo aconteceu...

Todos os dias o Ogro leva para ela café da manhã, e almoço. Mas é lógico que não é só isso que ele faz. Ele sempre aproveita para estuprar a garota, e não só isso, bater nela também. Cada dia que passava, o seu ódio, desprezo e vontade de matar aquele homem, aumentava cada vez mais. Ela vivia em condições precárias de higiene, tendo a sua disposição um balde com água e outro vazio para suas necessidades.

“O tamanho do meu ódio por ele é tão grande, que sei que nunca vou sentir esse sentimento com a mesma profundidade por ninguém.  Tenho certeza disso.”

Laura já tinha passado por torturas tão horríveis, e sabia que não adiantava gritar ou resistir, ela estava sozinha, dentro de um buraco, com um homem desconhecido, e seu destino era incerto. A única coisa que ela queria era que o Ogro a matasse logo. Pelo menos seu sofrimento chegaria ao fim.

Eu fiquei bem chocada com a descrição das violências que Laura sofreu. Foram muitas as vezes que parei de ler por uns minutos, para assimilar as cenas. O mais terrível era que, ela se sentia culpada por tudo o que estava acontecendo com ela, e achava que nunca mais sua família ia querer vê-la de novo. Esses pensamentos me deixavam com certa angustia, pensando em quantas mulheres que já sofreram algum tipo de violência, seja sexual, moral ou física, se sentem culpadas. Para completar, o Ogro fazia sempre seu showzinho, cheio de humilhações, e ameaçando a família dela, fazendo com que ela se sentisse ainda pior.

“Tem coisas nessa vida que você não sabe se é um pesadelo ou o inferno na terra.”

Para reunir forças e tentar arrumar um jeito de sair dali, ela se agarrava aos seus momentos felizes do passado, mesmo não tendo esperanças de que tudo fosse voltar a ser como era um dia.

Essa história é daquelas que você termina de ler e fica semanas pensando, refletindo. Ela é impactante, e faz você pensar em quantas mulheres podem estar passando por algo parecido por ai. O final foi devastador para mim. Um retrato mesmo que fictício, mas baseado em fatos reais da Síndrome de Estocolmo, quando a vítima mesmo sofrendo nas mãos do seu agressor, se sente grata pelo mínimo que eles lhe oferecem, como alimentação, um lugar para dormir e “proteção” do mundo lá fora.

No final do livro, encontramos vários casos reais que foram usados como inspiração na construção da história, e também uma breve explicação da síndrome de Estocolmo. A Rô está de parabéns! A história é impactante, não é mesmo para qualquer um. A única coisa que me deixou um pouco incomodada foi a aparição de um novo personagem, mas que não teve muita importância nesse primeiro livro. Como vamos ter uma continuação, tenho certeza que o personagem fará a diferença.


O livro inicialmente ficou disponível pela plataforma de leitura Wattpad onde milhões de pessoas leram e em 2016 finalmente a versão física foi lançada pela Darkside Books. A edição é de capa dura com uma borboleta na capa, as bordas das folhas são coloridas em azul e rosa, combinou muito com a capa e logo que você começar a ler o livro, vai entender o porquê desses detalhes. Mais uma vez, fiquei impressionada com a criatividade da editora e o trabalho gráfico que foi feito no livro, fez com que a experiência de leitura se tornasse ainda mais incrível. As folhas são amarelas e o tamanho da fonte agradável para leitura.


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