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Resenha: Fora de mim

Título: Fora de mim

Autor: Sharon M. Draper

Editora: V&R Editoras

Ano de publicação: 2014

Páginas: 208

ISBN: 9788576837411

Nota: 
05/05

Comprei esse livro na Bienal do Livro de 2016. Achei a capa muito bonita, até ler a sinopse e ver que esse livro era incrível. Criei expectativas, claro, e confesso que minhas expectativas foram superadas, e nunca imaginei uma história tão profunda, cheia de realidade e que me fez ficar arrasada em vários momentos.


Vamos conhecer a Melody, ela tem paralisia cerebral, tem dificuldades para se alimentar sozinha, precisa de ajuda para se locomover e infelizmente não consegue se comunicar. Apesar disso, ela é uma garota extremamente inteligente.

“Já fui a dúzias de médicos na minha vida, e todos tentam me analisar e me entender. Nenhum pode me consertar. Então, normalmente eu os ignoro e ajo como se fosse retardada.”

Subestimada por todos os médicos que visitou, o que mais a deixava chateada era que, mesmo ela estando presente nos lugares, ninguém falava diretamente com ela. Melody sentia como se não existisse. Tinha tantas coisas que ela gostaria de falar para seus pais, mas ela nunca conseguiria, para ela isso era o mais frustrante.

Depois de ir a uma consulta com sua mãe, e o doutor simplesmente sugerir para a mãe dela que existiam clínicas para cuidar “desse tipo de criança”, Diane, mãe de Melody decide que não vai dar ouvidos ao que aquele médico tinha dito. Ela então matricula Melody em uma escola, porque ela sabe que sua filha é inteligente demais para não ter suas habilidades desenvolvidas.

Infelizmente o tempo de Melody na escola não é tão bem aproveitado como ela gostaria. Ela estuda na sala H5, onde outras crianças que possuem “deficiências” estudam junto com ela. Melody se sente na maior parte do tempo entediada pelos professores acharem que todos na sala não compreendem o que eles falam. A Melody entende, muito bem por sinal, a única coisa que ela não consegue é falar e expressar o que pensa.

“Como é que o silêncio pode fazer tanto barulho?”

Além disso, as crianças da sala H5 eram excluídas pelas outras crianças, por serem diferentes. Foi então que surgiu a ideia de inclusão dos alunos da sala H5 com as outras crianças, para que todos fossem amigos.

“Alguém devia ter filmado a cena para provar que, sim, uma classe do quinto ano pode fazer o mais absoluto silêncio.”

Crianças tendem a serem cruéis quando querem, e foi isso que vi na maior parte da história quando começou essa ideia de integração.  Eu achei excelente, mas senti que muitos professores não interviam quando algumas crianças começavam a ofender as outras, só por elas serem diferente. Como a própria Melody fala (pensa), algumas crianças falam coisas não por serem sinceras, mas sim por pura maldade.

Esse livro foi muito especial para mim. Me emocionei em vários momentos, não tem como não se emocionar. A narrativa faz com que você se sinta vivendo a vida da Melody. Coisas muito simples, mas que fazem toda a diferença, como por exemplo, um abraço, um oi, um sorriso, uma simples conversa, era disso que a garota sentia mais falta. Era frustrante para ela não ser como as outras crianças, ela queria ter amigas, queria ir em festas de aniversário, mas isso nunca tinha sido possível. Os alunos da sala H5 eram invisíveis, menos quando passavam alguma vergonha ou faziam algo que era considerado estranho.

“Alguém devia ter filmado a cena para provar que, sim, uma classe do quinto ano pode fazer o mais absoluto silêncio.”


Uma das pessoas que mais gostei na história foi a Srª V (Violeta). Ela cuidava da Melody quando seus pais não estavam em casa e não tinha nenhum pouco de dó pela garota, muito pelo contrário, ela fazia de tudo para que a Melody fosse independente, para que aprendesse as coisas, porque ela sabia, aquela garota era inteligente e muito especial, mesmo a maioria dos médicos dizendo o contrário.

 Depois de finalizar a leitura, vi que tudo o que li, realmente acontece. Os pais devem ensinar aos seus filhos que não é certo descriminar outras crianças por qualquer que seja o motivo. Os professores devem ser orientados para saberem lidar e repreender sempre que necessário a atitude das crianças.


Imagine você ser insultado e não poder responder, ter que ficar quieta, simplesmente por não poder se movimentar e nem se comunicar, esses foram os momentos que mais me deixaram frustrada, mas o final do livro foi o que mais me deixou chateada e pensando em como o ser humano pode ser horrível. Eu recomendo muito a leitura, me fez abrir meus olhos para algo que nós não temos consciência de como é. Somos “perfeitos”, podemos andar, falar, comer sozinhos e mesmo assim, ainda reclamamos. Mas todos sabem que ninguém é perfeito, e assim como foi citado no livro, fica a pergunta: Todos têm algum tipo de deficiência, então, qual é a sua?


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