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Resenha: O sol é para todos

Título: O Sol é para todos

Autores: Harper Lee

Editora: José Olympio

Ano de publicação: 2015

Páginas: 364

ISBN: 9788503009492

Nota: 05/05

Tentando superar o fim desse livro tão incrível, recheado de lições de vida e com uma mensagem sobre o preconceito e a injustiça que nunca vou esquecer. A autora conseguiu me conquistar com essa estória por completo, principalmente por tudo ser contado pelo ponto de vista de uma criança. Saber que esse foi o primeiro romance escrito por Harper Lee, e que se tornou um clássico, só demonstra o grande potencial que a autora tinha para escrever histórias.

Scout ou Jean Finch Louise, uma garotinha filha de Atticus Finch e irmã de Jem e é nada mais nada menos que a narradora. O pai deles é advogado, muito honesto e um homem de respeito, o que faz as duas crianças o admirarem muito. Calpúrnia é a criada da casa, mas é como se fosse uma segunda mãe para eles, e se impõe e os educa como se fosse. Vamos conhecer Dill também, amigo das duas crianças que passa todo o verão na casa de sua tia e se torna um grande amigo e aliado nas travessuras que Jem inventa sempre metendo Scout nas suas travessuras também.

Atticus sempre procurou educar seus filhos da melhor forma possível, mas muitas vezes, a família achava que ele deixava as crianças muito soltas e que elas serem educadas por uma negra, não seria o correto. Mesmo assim, seus filhos aprenderam a ler antes de ir à escola e Jem, se inspirava no pai e queria se tornar um advogado um dia, já Scout, por mais que não gostasse de vestir e se comportar com uma “menina comportada”, pensava em se tornar uma dama um dia, quem sabe.

“A única coisa que não deve se curvar ao julgamento da maioria é a consciência de uma pessoa.”

A inocência que encontramos nos relatos de Scout, principalmente quando esta se referindo a assuntos sérios, mesmo não entendendo exatamente o que tudo aquilo significava, em muitos momentos, chega a emocionar e da vontade de abraçar Scout. O período em que ocorre a estória é nos anos 1930, e naquela época as pessoas não aceitavam ter que conviver com negros como se fossem iguais aos brancos e a injustiça racial corria solta.

Até que no condado de Maycomb no Alabama onde Scout morava, um homem negro é acusado de estuprar uma mulher branca e Atticus é indicado como defensor do homem acusado, chamado Tom Robinson. Atticus não recusou fazer a defesa do homem, e sofrerá as consequências junto com sua família de sua decisão.

“- Se tio Atticus deixa você andar por ai com qualquer um, é problema dele, como diz vovó, não é culpa sua. E acho que também não tem culpa se tio Atticus adora pretos, mas saiba que ele envergonha a família inteira...”

A cidade era pequena, e os envolvidos no caso eram todos conhecidos uns dos outros, o que fez com que a situação fosse ficando cada vez mais difícil para Atticus e seus filhos. Mesmo assim, ele foi forte e sempre foi claro com Scout e Jem que ele não queria que os dois se envolvessem em confusões por causa dele. O que os outros falavam a respeito dele, não importava, era para os dois ignorarem e confiarem no que o seu pai estava fazendo.

Quando somos crianças, sabemos que isso é bem difícil. Scout não aceitava que ninguém a insultasse, então quando ela começou a ouvir comentários de colegas da escola e vizinhos que o pai dela defendia pretos, e admirava pretos, primeiro que ela não entendia o que tinha de mal nisso, mas a forma que falavam para ela essas coisas, já dava para ela imaginar que seria algo muito ruim até ela perguntar ao pai o que aquilo significava.

“-Você defende pretos, Atticus? – perguntei a ele naquela tarde.
-Claro que sim. Não diga preto, Scout. É grosseiro.
-Todo mundo na escola fala assim.
-A partir de agora, todo mundo menos você.”

O preconceito, seja ele qual for, é ensinado pelos mais velhos para as crianças, que mesmo não sabendo o que aquilo significa, sai por ai falando coisas horríveis por terem ouvido um adulto falando e por achar legal imitar o que ouviu em casa.

O que deixava Scout sem entender nada na maioria das vezes, era essas diferenças que as pessoas viam uma nas outras pelo simples fato da cor da pele ser diferente. Atticus apesar de todas as dificuldades e as pressões que recebia da família, jamais deixou de corrigir, ensinar e mostrar aos filhos o que era certo e o que era errado e os ensinou a serem justos acima de tudo.

O livro não se trata somente do dia a dia de Scout, mais também, de temas como o preconceito, seja ele racial ou social, e também de como a justiça pode ser falha, em uma época em que o preconceito era considerado normal para todos.

O que mais chama a atenção, é que por mais que as pessoas fossem preconceituosas, muitas delas eram religiosas também, e concordavam que os negros e brancos tinham que viver separados uns dos outros. Brancos que andavam com negros, eram completamente excluídos do convívio entre os demais, primeiro pela pessoa estar cansada de ouvir que negros não eram ninguém e depois por todos os brancos acharem que havia algo errado com aquela pessoa.

Uma coisa que é interessante também, é que filhos de negros e brancos eram excluídos tanto de um lado quanto do outro, por não se “encaixarem” em nenhuma das duas categorias.

“O sol é para todos” é uma história linda, que retrata o preconceito com um olhar de inocência, mas nos deixando com esperanças de que tudo pode mudar e melhorar algum dia.


Depois de finalizar a leitura, descobri que em 2015 foi lançada a continuação da história chamada “Vá, coloque um vigia”. Depois de ter ficado apaixonada por esse primeiro livro, eu com certeza já quero ler a continuação que se passa 20 anos depois e com os mesmos personagens do primeiro volume.
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