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Resenha: O Ceifador

Título: O Ceifador

Autor: Neal Shusterman

Editora: Seguinte

Ano de publicação: 2017

Páginas: 442

ISBN: 9788555340352

Nota: 05/05

*Livro cedido pela editora para leitura.


“Esqueçam tudo o que vocês pensam saber sobre ceifadores. Abandonem suas ideias preconcebidas. Sua educação começa agora.”

Li algumas resenhas sobre esse livro e fiquei bem interessada em ler, principalmente por envolver ceifadores. Não se iluda, esse livro vai te mostrar uma faceta bem diferente do que imaginamos quando ouvimos falar dessas misteriosas criaturas que são os ceifadores.
Na história, vamos ser apresentados a um mundo onde, as pessoas não morrem mais. Se alguém sofrer algum acidente muito grave, ela é levada imediatamente para um centro de revivificação para ser restaurada e voltar a viver normalmente depois de alguns dias.

Com a descoberta da imortalidade para os humanos o mundo agora era administrado por uma inteligência artificial chamada nimbo-cúmulo. O problema de as pessoas não morrerem mais, é que o mundo pode sofrer com uma superpopulação o que poderia acarretar em falta de recursos com o excesso de pessoas. E para solucionar esse problema, a Ceifa foi criada e somente eles tinham autorização e eram capazes de coletar (matar) pessoas. A nimbo-cúmulo não tinha nenhuma influência sobre a Ceifa, as duas coisas eram independentes uma da outra, o que eu penso que poderá ser um problema e tanto no futuro.

Uma coisa que pode soar até engraçada, em vários momentos as pessoas falam da era da mortalidade, que era quando as pessoas morriam naturalmente e podiam ser mortas por qualquer um. Eles fazem comparações dizendo que a imortalidade foi bem benéfica, mas se você for parar para pensar, não é bem assim. Muitas pessoas são mortas ainda a diferença é que um ceifador faz isso seguindo critérios dele mesmo mas também, levando em consideração as regras da Ceifa. Um ceifador não podia, por exemplo, matar só pessoas que ele considerava feias. Isso era considerado inaceitável e era passível de punições pela Ceifa.

“Nos afastamos de natureza no momento que vencemos a morte.”

Somos apresentados a Citra, uma garota que mora com os seus pais e seu irmão e que um dia, por infelicidade da vida, sua família recebe a visita de um ceifador. Todos sabem que os ceifadores podem escolher quem será coletado (maneira elegante de dizer que a pessoa será morta), e que cada ceifador tinha seus critérios. Citra recebeu o ceifador de maneira bem ríspida, ela sabia que ele provavelmente a coletaria, então não ligava para ser educada. O ceifador pediu para jantar junto com eles e foi bem recebido pelos pais da garota e durante o jantar revelou que na verdade, ele veio coletar a vizinha deles.

Por mais aliviada que Citra se sentisse por saber que ninguém da sua família seria coletado naquele dia, ela não gostava da ideia de ficar perto de um ceifador. Ela tinha medo de perder alguém se sua família e as atitudes daquele ceifador a deixaram incomodada.

Rowan é um garoto que se sente um alface na vida. O que isso significa? Quando as pessoas comem um lanche, ninguém  da importância para o alface, mas sim para o hambúrguer por exemplo. Ele se sentia invisível tanto na escola quanto em casa. Seus pais pareciam que nunca estavam presentes e ele sentia falta disso. O amigo do garoto chamado Tyger foi parar algumas vezes no centro de revivificação depois de se jogar de prédios só para que sua família tivesse um prejuízo com suas despesas. Rowan fez isso uma vez, e viu que não valia a pena a dor era tremenda.

Certo dia na escola, ele encontra um ceifador que pede uma informação e o garoto decide ajuda-lo. O que Rowan não sabia, é que aquele dia mudaria sua vida e a convivência com seus amigos da escola. Ao saber quem seria coletado, Rowan tenta interferir nisso, o que não da muito certo e ele acaba sendo acusado por seus amigos de não ter tentado ajudar o amigo deles a não ser coletado pelo ceifador. Rowan se sente mal por isso, mesmo sabendo que a verdade não era aquela, mas não adiantava falar, ninguém o ouvia mais.

Citra e Rowan inesperadamente são convocados a se tornarem aprendizes do ceifador chamado Faraday, o mesmo que entrou na vida deles de forma tão abrupta. Citra era a que mais resistia a ideia de participar daquele treinamento. Ela poderia recusar, mas não sabia qual seria a consequência para ela e sua família se ela não fosse. Garantir um ano pelo menos de imunidade à coleta dos ceifadores para ela e sua família, era algo que a deixava mais tranquila. Já Rowan, não sentiria falta da família, assim como eles também não sentiriam dele, mas sim ficariam felizes de ganhar imunidade por causa do filho. Mesmo assim, o garoto não gostava muito da ideia de se tornar um ceifador.

O que mais me deixou impressionada com essa história, foi a forma com que o autor desenvolveu o enredo e todos os acontecimentos fazendo com que tudo se interligasse. Ele mostra vários pontos de vista durante o livro, que geralmente ia de Citra para Rowan, mas outros personagens, alguns até desconhecidos apareceram na história para contar e descrever algumas coisas. A cada início de capítulo, você encontra o trecho do diário de algum ceifador. Todos os ceifadores tem que escrever e fazer anotações todos os dias e elas são públicas, qualquer um pode ter acesso.

Além disso, cada pessoa quando se torna oficialmente um ceifador, ganha um anel para conceder imunidade a quem tinha direito ou para quem achassem necessário, mudam seus nomes e todos usam uma túnica, mas nunca preta, qualquer cor era aceitável, preto era considerado inadequado. Irônico não? Mas para a ceifa, coletar era algo divino. A única forma de um ceifador ser coletado, era se ele decidisse se auto coletar, caso contrário, sua vida era garantia de ser eterna.

O treinamento dos dois é bem pesado, eles aprendem a lutar, mexer em armas, manipular venenos e algumas vezes, acompanhavam o ceifador Faraday em suas coletas. Mas, os dois sabiam que só um deles se tornaria ceifador e então, um queria que o outro ganhasse e essa cumplicidade que acabou crescendo entre os dois vai prejudicá-los de uma forma que eles nunca poderiam imaginar.


Esse livro foi incrível para mim, não vou contar mais detalhes por medo de dar spoiler. O livro é bom demais, uma pena ainda não ter a continuação se não, eu iria correndo comprar o meu. A história está recheada de revira voltas nos fazendo repensar qual seria as consequência daquilo. O final é surpreendente e não deixou muitas pontas soltas, claro me deixou curiosa para a continuação, mas esse livro não é daqueles que não nos revela nada no primeiro livro e deixa tudo pros livros seguintes. Muitas coisas são esclarecidas, mas ficamos com aquela expectativa e pensando no que será que tudo isso vai dar? Eu recomendo muito a leitura, acredito que se os próximos livros seguirem a ideia do primeiro, essa série será incrível.


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