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Resenha - Bunker - Diário da Agonia


Título: Bunker – Diário da Agonia

Autor: Kevin Brooks

Editora: V&R Editoras

Ano de publicação: 2015

Páginas: 272

ISBN: 9788576838784

Nota: 03/05

* Livro cedido pela editora para resenha

Uma grande história sem fim

Qualquer pessoa que ler a sinopse de Bunker vai imaginar que o livro deve ser muito bom, é aquele tipo de sinopse que te instiga a querer ler o livro e entender o motivo de seis pessoas que nunca se viram na vida serem trancafiadas em um ambiente fechado somente com as suas roupas. O autor Kevin Brooks criou um monstro, mas, para a minha infelicidade, ele não conseguiu domá-lo.

Linus é um adolescente de dezesseis anos, apesar da pouca idade, ele já passou por maus bocados que muita gente com o dobro da sua idade não deve ter enfrentado ainda. A vida de Linus começou a mudar depois da morte de sua mãe e ele não aguentava mais viver junto do seu pai, ele decide abandonar a sua casa e viver nas ruas com o seu violão em troca de umas moedas. Ele foi o primeiro a conhecer o tal bunker, tudo do que se lembra foi de ter ajudado um senhor cego a colocar umas malas dentro de um furgão quando ele apagou.

O misterioso bunker possui seis quartos, com um banheiro, uma cozinha, um elevador, um relógio no corredor, uma sala de jantar com uma mesa com seis lugares e alguns utensílios de cozinha. Em cada quarto há um criado mudo, um caderno com uma caneta e uma bíblia. Claro que não posso me esquecer de dizer que o ambiente possui câmeras e microfones.

O livro é narrado pelos registros do diário de Linus, nos primeiros dias ele percebe que as luzes se apagam a meia-noite e se acendem as oito e que o elevador desce as nove. Passou-se três dias e Linus estava faminto, não havia comido nada desde que foi colocado dentro do Bunker, até que o elevador desceu naquela manhã e lhe trouxe uma surpresa, mas não era comida e sim uma criança. Seu nome era Jenny e ela tem nove anos, ela foi sequestrada quando estava a caminho da escola, Jenny teve uma excelente ideia que Linus nos dias em que ficou não pensara antes, eles usaram o elevador para se comunicar com quem estivesse lá em cima ditando as regras através de carta. Foi através disso que eles tentaram a sorte de pedir comida e foram atendidos.

Depois da chegada de Jenny, outras pessoas foram sendo inseridas dentro do bunker: Fred, um dependente químico; Anja, que é descrita como uma linda mulher de mais ou menos trinta anos; Russell que é físico, mas por conta da idade avançada vem enfrentando problemas de saúde; e Willian Bird que é um executivo.

A partir daí, o grupo vai precisar se aliar para tentarem, de alguma forma, conseguirem escapar do Bunker, a cada tentativa mal sucedida, eles são punidos, ora com a temperatura baixíssima, ora sem comida por alguns dias. O engraçado, é que ninguém sabe qual foi o motivo deles terem sido “escolhidos” a ficarem confinados. Nenhum dos confinados jamais se viram na vida, e na medida em que os dias vão passando, as pessoas precisam procurar ter a mente no lugar, pois o risco de enlouquecer é gigante.

Acredito que o autor procurou mostrar para os leitores o quanto às pessoas podem ser egoístas e individualistas em momentos em que é necessária uma união, nesse caso, Brooks foi muito feliz. O problema é que a história foi tomando um rumo e não vi em nenhum momento maiores explicações dos motivos das pessoas terem sido confinadas.

Brooks criou uma excelente história, mas no meu entendimento ele não soube domá-la e dar um final merecido que ela merecia.
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