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Resenha: Ninguém Nasce Herói

Título: Ninguém nasce herói

Autor: Eric Novello

Editora: Seguinte

Ano de publicação: 2017

Páginas: 378

ISBN: 9788555340420

Nota: 04/05

Livro enviado pela editora para resenha

“A verdade é que ninguém nasce herói.
Mas isso não nos impede de salvar o mundo de vez em quando.”

Eu ainda não conhecia o livro e nem o autor, e fiquei bem surpresa e impressionada com a qualidade da escrita dele. A principio, não sabia muito o que esperar da leitura, pois, mais uma vez não li a sinopse, porém o título do livro me deixou bem curiosa, e já adianto, o nome do livro não é por um acaso, vai ter um grande significado em certo momento.
Vamos conhecer o Chuvisco, ele é um garoto que mora sozinho em São Paulo, trabalha com tradução de textos e se formou recentemente em Letras. O garoto tem quatro grandes amigos e são eles Pedro, Cael, Amanda e Gabi.

Chuvisco e seus amigos estão vivendo em um momento bem difícil no país, onde a liberdade tem sido controlada, discutida e combatida a todo o momento e o ódio impera em todo o lugar.  O Brasil está sendo governado pelo “Escolhido”, e digamos que ele entrou no governo da mesma forma que prevejo que possa acontecer daqui há alguns anos em nosso país.  O “Escolhido” tem a força da classe fanática religiosa e dos fanáticos que zelam pela moral e bons costumes, então o que podemos esperar dessa combinação, infelizmente, é a repressão, preconceito e intolerância.

O começo do livro eu achei incrível, me conquistou. Chuvisco, Cael e Amanda se encontram na Praça Roosvelt, no centro de São Paulo para distribuir livros para as pessoas que vão passando pelas ruas, rumo aos seus trabalhos ou até mesmo voltando para casa. Mas, como seu disse, o momento não é muito favorável e logo os três são surpreendidos por dois policiais que pedem para que eles parem de fazer aquilo. Sim, distribuir livros, significava uma afronta ao governo, portanto, passível de prisão ou até mesmo de uma bela surra por parte da polícia.

Depois do acontecido, eles combinam de se encontrar no Vitrine,  um bar onde eles sempre costumam ir, mas essa ida até o local, faria com que Chuvisco passasse por algo que ele não esperava. Depois de uma noite agradável, apesar da presença de Dudu, que Chuvisco tinha uma antipatia antiga pelo garoto, ele decide ir para casa, ao subir a Rua Augusta, um local bem conhecido aqui em São Paulo, por ter várias baladas, bares, restaurantes e pessoas de todos os tipos, Chuvisco retrata o local também dessa mesma forma mas não há tantos locais abertos, muitos foram fechados, mas para a sua infelicidade ele se depara com a Guarda Branca agredindo uma pessoa e o garoto consegue intervir, enfrentar e salvar a vítima. Nessa aventura, Chuvisco tem uma catarse criativa, que se trata de misturar a realidade e a imaginação bem criativa do garoto, fazendo ele ver e imaginar que estão acontecendo coisas que não são possíveis, mas ele acaba acreditando que aquilo é verdade. A pessoa que Chuvisco salva é um garoto chamado Junior que desaparece depois dos dois já estarem em um lugar seguro.

A partir disso, vamos conhecer Chuvisco ainda melhor e como foi que ele descobriu que ele tinha catarses criativas. Quando ele começa a se entender melhor, controlar suas crises começou a se tornar mais fácil, mas como fazia anos que ele não tinha nada do tipo, ele fica preocupado e percebe que precisa de ajuda novamente.

Chuvisco tem um canal de vídeos chamado Tempestade Criativa onde posta vídeos sobre suas experiências de vida e suas crises de catarse criativa. Gravar os vídeos ajudou e muito ele a superar e aprender a se controlar nos momentos de crise. O garoto tinha muitos problemas com os pais, por isso mora sozinho, mesmo que para isso tenha que passar algumas dificuldades financeiras.

“- Você precisa reaprender a se divertir, Chuvisco – Letícia fala, notando minha cara de derrota – Ser feliz também é uma forma de protesto.”

O livro é recheado de críticas políticas e encontramos vários personagens que assim como Chuvisco não aceitam como a sociedade lida com as diferenças. O garoto começa a ficar bem interessado em um grupo rebelde chamado de Santa Muerte que luta para tentar derrubar o governo. A guarda branca que eu citei anteriormente se trata de pessoas que se juntaram para fazer justiça com as próprias mãos, mas ao contrário do Santa Muerte, eles atacam pessoas comuns que não seguem a moral e os bons costumes. A pior parte é que a guarda branca tem apoio de uma boa parte da população que estão do lado do “Escolhido”.

“Um grupo de encapuzados passou a agir “em nome da justiça divina”. Da mesma forma que os justiceiros de outrora a Guarda Branca julgava, condenava e punia de acordo com seus próprios critérios.”


Eu recomendo muito a leitura, para quem como eu gosta de livros que tratam de política, vai gostar e muito. Principalmente por conta da história se passar no Brasil especificamente em São Paulo, o que me deixou ainda mais empolgada, pois o livro cita lugares que eu consigo imaginar claramente, pois eu moro em São Paulo. 


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